"Explosão" de caldeira nos Açores assusta visitantes. Especialista afasta risco de erupção

Diretor do Observatório Vulcanológico garante que não há risco iminente, apesar de o sismo de 1980 na Terceira se ter seguido a um fenómeno semelhante

Aconteceu ontem, quarta-feira, pelas 14:50, hora local (mais uma hora em Lisboa): uma caldeira nas Furnas, nos Açores, explodiu, projetando água quente, cinzas e pedras a 15 metros de distância. Apesar do alarme imediatamente gerado no local, ninguém foi atingido, ainda que muitos turistas e açorianos não tenham ganho para o susto. O fenómeno, uma "explosão freática" - provocada por um movimento "na ordem dos centímetros" numa falha geológica - é invulgar, mas já foi registado noutras ocasiões, explica ao DN Victor Forjaz, o diretor do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores.

"Quando uma falha geológica mexe, quando tem um pequeno movimento, a água à superfície, seja de uma ribeira, fumarola ou lagoeiro, desce ao longo da falha e encontra massas superaquecidas. Então essa água explode e a explosão naturalmente ascende a velocidade quase supersónica, projetando à superfície gases vulcânicos e materiais sólidos".

Como "a sorte também conta", assinala o especialista, as areias, cinzas, blocos e pedras-pomes projetadas não atingiram ninguém, graças também ao murete ali colocado há cerca de três anos, que impede os visitantes das Furnas de circularem livremente por entre as caldeiras e obrigando-os a manter uma distância de segurança. Houve quem fosse salpicado por causa da força do fenómeno, mas o material "mais pastoso e quente felizmente desceu para a ribeira mais próxima. Durante algumas horas mantiveram-se os "esguichos tipo géisers", explica Victor Forjaz, mas pelas 19:00 "a lama começou a subir na conduta e a caldeira entrou numa fase de recuperação que deve demorar entre 15 dias a um mês", até que as águas voltem ao turquesa habitual. Se há risco vulcânico imediato, perante a violência da explosão? "O meu parecer, como vulcanólogo, é de que não. Não há risco de o vulcão das Furnas entrar em erupção nas próximas semanas", garante o diretor do Observatório Vulcanológico.

Fenómenos idênticos aconteceram em 1979, 1999 e 1995, recorda Victor Forjaz; a explosão freática de 79 foi sucedida por uma grave crise sísmica, pelo que a explosão de quarta-feira trouxe à memória dos açorianos o grave sismo de 1980 no arquipélago. Mas, para o especialista, a mais recente explosão "não significa que vai haver erupção vulcânica". "O importante é saber se é premonitório, e o meu parecer como vulcanólogo é de que não é. Não há risco de o Vulcão das Furnas entrar em erupção nas próximas semanas", assegura, recordando que os Açores são uma região vulcanicamente ativa e portanto "a quatro quilómetros de profundidade há magma e outros fluidos que mantêm vivo o vulcão", sem que isso signifique risco iminente.

Victor Forjaz assinala também que, neste momento, não há preocupações em relação à segurança, ainda que a Proteção Civil nos Açores deva manter sempre um "sistema de vigilância apurado e eficiente".

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