O ex-presidente da Câmara de Espinho, Miguel Reis, vai aguardar julgamento em prisão preventiva, medida de coação aplicada este sábado pelo Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto. A decisão de aplicar a medida de coação mais gravosa foi qualificada pelo advogado do ex-autarca como "chocante". Nuno Brandão anunciou que vai recorrer.."Para a defesa é uma decisão chocante. Não conhecemos o teor da decisão, mas obviamente que vai ser interposto recurso", disse o advogado, à porta do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, citado pela agência Lusa..Miguel Reis, que presidia desde as últimas autárquicas à Câmara Municipal de Espinho (distrito de Aveiro), foi um dos cinco detidos na terça-feira no âmbito da Operação Vórtex..Além do autarca (que entretanto renunciou ao mandato), foram detidos o chefe da divisão de urbanismo da autarquia, dois empresários e um arquiteto. Em causa estão suspeitas de corrupção e de outros crimes económico-financeiros alegadamente cometidos, segundo avançou em comunicado a Polícia Judiciária, "em projetos imobiliários e respetivo licenciamento, respeitantes a edifícios multifamiliares e unidades hoteleiras, envolvendo interesses urbanísticos de dezenas de milhões de euros, tramitados em benefício de determinados operadores económicos"..Numa nota hoje distribuída aos jornalistas à porta do TIC, a instância judicial refere - sem identificar os arguidos - que dois deles ficaram em prisão preventiva, um ficou suspenso do exercício das funções públicas e um quarto ficou obrigado a pagar uma caução no valor de 60 mil euros, no prazo de 10 dias. Segundo avançou a RTP3 o outro arguido que fica em prisão preventiva é o empresário Francisco Pessegueiro, para quem o Ministério Público tinha também pedido a aplicação da medida de coação mais gravosa..Um quinto arguido ficou com termo de identidade e residência, medida que já tinha sido aplicada a todos os suspeitos..A juíza de instrução criminal determinou também que os arguidos não possam contactar uns com os outros nem com as testemunhas do processo..O Ministério Público (MP) promoveu, na sexta-feira, a aplicação da medida de coação de prisão preventiva a Miguel Reis e ao empresário José Pessegueiro. Os outros três arguidos - o chefe da divisão do Urbanismo José Costa, dois empresários e um arquiteto foram então libertados, segundo avançou à agência Lusa fonte policial..Miguel Reis, eleito pelo PS, presidia à Câmara de Espinho desde 2021. A investigação em curso estende-se ao anterior presidente da autarquia, o social-democrata Joaquim Pinto Moreira, que já confirmou buscas à sua residência, e anunciou entretanto a demissão da vice-presidência da bancada parlamentar do PSD, bem como da presidência da Comissão Eventual para a Revisão Constitucional.