Ex-funcionária do SEF burlou colegas e amigos em quase meio milhão de euros

Assistente técnica foi expulsa do SEF em 2014 mas continuou a atuar. Pedia empréstimos e prometia compensar quando recebesse herança

Uma ex-assistente técnica do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, com 57 anos, foi detida pela Polícia Judiciária de Setúbal naquele que é já um segundo inquérito à sua alegada prática de burla qualificada com caráter internacional. A mulher terá lesado pelo menos 15 pessoas em quase meio milhão de euros (450 mil euros), entre as quais três colegas inspetores do SEF.

Escolheu as vítimas no seu círculo próximo: colegas, amigos, vizinhos e até o ex-marido. Pedia-lhes quantias avultadas e eles davam, à medida das possibilidades: mil euros, três mil ou seis mil. Esperav am ser depois compensados quando a alegada burlona recebesse a "herança de dois milhões de euros da Rússia" ou "o prémio de lotaria da Nigéria", como descreveu fonte policial.

Viajada, com contactos pelo mundo, a ex-funcionária do SEF fazia-se ainda valer de um cartão do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que continuava a exibir, mesmo depois de ter sido expulsa em 2014, como adiantou fonte ligada à investigação ao DN.

Expulsa por causa das burlas

O primeiro inquérito da Polícia Judiciária, aberto em 2012, deu origem à sua expulsão do SEF em 2013 na sequência de um processo disciplinar por ter, alegadamente, enganado três colegas inspetores que lhe emprestaram milhares de euros. Nesse primeiro processo terá lesado 12 pessoas num total de 250 mil euros. O inquérito foi concluído pela Judiciária e seguiu para o Ministério Público em agosto do ano passado com proposta de acusação. Entretanto, um ano depois, foram descobertas mais três vítimas e aberto novo inquérito. Neste o valor da burla vai em 200 mil euros.

A suspeita aguardou sempre os trâmites do primeiro processo em liberdade, o que voltou agora a acontecer: presente ao juiz ontem ficou submetida a apresentações semanais no posto policial da área de residência. Está, pois, em liberdade, mesmo estando em causa a burla como um modo de vida reiterado há seis anos e ainda o crime de usurpação de funções (fazia-se passar ainda por inspetora do SEF quando já não o era desde 2014).

Mudava de casas e telemóveis

A PJ descobriu que a alegada burlona vivia deste esquema desde 2009, tendo o aparente cuidado de mudar várias vezes de moradas e de telemóveis. Morou em Lisboa, em Setúbal, em apartamentos, em quartos emprestados por amigos...não parou.

A burla tem carácter internacional porque a suspeita transferiu várias remessas de dinheiro para o Reino Unido e para alguns países do Extremo Oriente (Coreia e Japão, por exemplo). A PJ investiga ainda a possibilidade de a mulher ter um ou mais cúmplices nesses países.

Quando foi demitida do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, a ex-assistente técnica ficou desempregada. A investigação descobriu que a suspeita viajava muitas vezes quando ainda estava ao serviço do SEF, em viagens que nada se relacionavam cm a sua profissão. Isso e o facto de ter enganado três colegas acabou com a sua carreira.

Notícia atualizada às 18.12, depois de recebido um comunicado à imprensa do SEF que informou que a detida pela Polícia Judiciária era uma ex-assistente técnica e não ex-inspetora como referido por vários órgãos de comunicação social a partir de informações da PJ

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