Líder maçónico europeu quer mais comunicação sem abdicar da discrição

Cimeira da Aliança Maçónica Europeia junta hoje em Lisboa dezenas de organizações maçónicas europeias

O presidente da Aliança Maçónica Europeia, Marc Menschaert, afirma que um dos objetivos da reunião que se inicia hoje em Lisboa é melhorar a comunicação de uma organização que rejeita ser secreta mas que quer manter-se "discreta".

Marc Menschaert falava à Agência Lusa a propósito da cimeira da Aliança Maçónica Europeia (AME), que hoje junta em Lisboa dezenas de organizações maçónicas europeias, numa organização do Grande Oriente Lusitano, a mais antiga obediência maçónica portuguesa.

"É para preservar o principio de laboratório de ideias que o que dizemos em loja fica discreto, mas insisto que a maçonaria não é de todo uma sociedade secreta", frisa o responsável na entrevista à Lusa, acrescentando que a AME tem uma página na internet e que é até um parceiro na Comissão Europeia e no Parlamento Europeu.

Em Portugal é a primeira vez, mas reuniões do género acontecem regularmente em vários países da Europa e o objetivo é sempre o mesmo: que os maçons europeus trabalhem juntos na defesa de valores em que todos acreditam, segundo Marc Menschaert.

É certo que, disse à Lusa, a reunião de hoje é fechada e não haverá comunicados finais. Marc Menschaert explica porquê: "Há uma coisa que não se divulga, o que se passa nas lojas, para que tudo se possa aí dizer. A maçonaria, para nós, é um laboratório de ideias, e para que ele funcione bem é preciso que os irmãos e irmãs presentes no templo tenham a liberdade total de expressão" e para isso há a garantia de que "não será repetido o que dizem".

Mas tirando essa parte "discreta", diz Marc Menschaert que o objetivo dos maçons é precisamente dar-se a conhecer. E hoje por exemplo vão em Lisboa "falar de comunicação", sobre como é que a AME "pode comunicar cara-a-cara com os maçons e não maçons, para explicar o que faz", para "partilhar os seus ideais".

E porque o objetivo de todos os maçons é "melhorar a sociedade", e porque é importante "que a maçonaria tenha visibilidade em todo o mundo", hoje mesmo em Lisboa os responsáveis das várias obediências maçónicas europeias vão discutir como melhorar a página da AME na internet, como poder comunicar melhor o trabalho que faz, como divulgar o que apresenta às instituições da União Europeia.

Associação internacional inscrita no registo de transparência da União Europeia, a AME tem voz junto da Comissão e do Parlamento. "Não é "lobby" ", garante o responsável, acrescentando que é antes a defesa de valores que a maçonaria considera importantes. "São valores de tal forma importantes que não vejo por que não falar, por que não partilhá-los e não os dizer ás instituições europeias".Reúne-se hoje em Lisboa, no coração da cidade, Bairro Alto, para onde uma organização de extrema direita está a convocar, nas redes sociais, ma manifestação "contra a reunião da maçonaria europeia". Porque, justifica, "a maçonaria é uma arqui-inimiga do nacionalismo desde a sua fundação".

A AME foi inicialmente formada por 23 obediências maçónicas, entre elas as de França, Bélgica, Suíça, Holanda, Áustria, Espanha, Polónia ou Itália.

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