"Empresa cumpria todas as regras", mas a tragédia ocorreu

Explosões em fábrica de pirotecnia fizeram cinco mortos, mas o número pode subir para oito. Presidente da Junta de Avões diz que a empresa oferecia condições de segurança

"A empresa cumpria todas as regras de segurança" e a população ficou "tranquila" quando a família Sequeira, há cerca de dez anos, comprou a pequena fábrica de pirotecnia e fez obras. A observação e o lamento com a "tragédia" que vitimou, pelo menos, cinco trabalhadores foram dados pelo presidente da Junta de Freguesia de Avões (Lamego), Macário Rebelo, o primeiro responsável a assumir a dimensão das consequências das explosões na fábrica de pirotecnia Egas Sequeira, que funcionava naquela localidade.

Todas as vítimas eram funcionários daquela empresa familiar, mas o número de mortos pode chegar aos oito. À hora de fecho desta edição, o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes confirmava as cinco vítimas mortais e três pessoas desaparecidas.

A primeira explosão foi registada por volta das 17.30, seguindo-se mais duas, deixando um rasto de destruição que dificultou a prestação de socorros, uma vez que a falta de condições de segurança no local - onde estiveram mais de uma centena de bombeiros, 40 viaturas e dois helicópteros do INEM - não tinha permitido a entrada na empresa das equipas de resgate. Há pouca "esperança de que os desaparecidos estivessem vivos", adiantou o presidente da Junta de de Avões, explicando que o próprio proprietário da fábrica - que habitualmente conta com 12 funcionários - estaria entre as vítimas, já que se encontrava lá a trabalhar.

Macário Rebelo explicou ainda que quatro corpos foram logo encontrados nas proximidades, por terem sido projetados com a violência da explosão. E que as autoridades iriam continuar a procurar nos terrenos envolventes pelos desaparecidos. O acesso ao interior da fábrica era ainda interdito, uma vez que o incêndio estava por controlar. A Brigada de Inativação de Explosivos deslocou-se para o local do acidente para tentar conter as explosões de mais material pirotécnico. A Polícia Judiciária foi chamada para investigar o ocorrido. Segundo o comandante territorial de Viseu da GNR, coronel Vítor Rodrigues, a fábrica "ficou completamente destruída".

A empresa de pirotecnia já existia neste local há várias décadas, mas foi comprada por Egas Sequeira, "há cerca de dez anos". "Ele e a mulher já trabalharam no ramo e mudaram-se para aqui quando compraram a fábrica. A população até ficou contente quando eles compraram a fábrica porque fizeram obras e percebeu-se que cumpriam todas as normas", adiantou ao DN o presidente da Junta, que não confirmou a informação que corria ao final do dia de que havia o registo de outras duas explosões nos últimos cinco anos na mesma fábrica.

O DN contactou também o presidente da Associação de Empresas de Produtos Explosivos, David Costa, que ainda em "choque" com o sucedido não se alongou em explicações, afirmando apenas que todas as empresas de pirotecnia e pólvoras são alvo de vistorias de segurança "duas a três vezes por ano".

O processo de fiscalização deste tipo de empresas é aleatório e a responsabilidade está a cargo do departamento de Armas e Explosivos da Polícia de Segurança Pública em coordenação com os comandos distritais.

O presidente da Câmara de Lamego, Francisco Lopes, lembrou o histórico dos incidentes em fábricas de pirotecnia, mas explicou que com esta dimensão de mortos não há memória na região. "É uma grande tragédia", lamentou. António Costa manifestou as condolências em nome do governo e hoje Marcelo Rebelo de Sousa vai deslocar-se ao local.

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