Doente oncológica em fase terminal foi deitada no chão da urgência do hospital de Coimbra por falta de macas
FOTO: FACEBOOK / JOÃO GASPAR

Doente oncológica em fase terminal foi deitada no chão da urgência do hospital de Coimbra por falta de macas

O relato foi feito nas redes sociais através de uma carta aberta do filho da doente, na qual refere que por falta de ambulâncias teve de levar a mãe, "com dores insuportáveis", num carro particular.
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O filho de uma doente oncológica em fase terminar denunciou, numa carta aberta publicada nas redes sociais, que a sua mãe teve de ficar deitada no chão das urgências do Hospital de Coimbra na quinta-feira, 8 de janeiro,

No texto, com o título de "Quando o SNS deixa os doentes no chão", João Gaspar revela que a sua mãe "tem um cancro generalizado na zona abdominal", faz quimioterapia e "vive com dores constantes", razão pela qual "não consegue andar sozinha" nem "permanecer sentada por muito tempo".

Tendo em conta as muitas dores que sentia a sua mãe na quinta-feira, João Gaspar diz que telefonou para a Linha SNS 24, mas "ninguém atendeu", tendo depois feito uma chamada para o 112, na qual lhe foi dito que lhe iriam mandar uma ambulância, mas "vinte minutos depois voltaram a ligar para dizer que não havia ambulâncias disponíveis e que teríamos de aguardar por tempo indeterminado". Isto numa altura em que, diz, as dores eram "insuportáveis".

Por essa razão, não lhe restou alternativa senão colocar a doente no automóvel pessoal para levá-la às urgências. "Avisei que estava a chegar com uma doente grave, antecipando o problema que é chegar à entrada das urgências com um carro particular. Disseram-me apenas para falar com a polícia à entrada", conta.

O problema foi quando chegou às urgências, com a mãe deitada no banco de trás e lhe disseram que não havia macas disponíveis e que a doente teria de ir de cadeira de rodas, algo que ela não conseguia por causa das dores.

Acabou por recorrer à ajuda de um familiar para transportar a mãe para o interior do hospital, onde "ninguém tinha uma solução" para o problema. Sem uma maca e sem qualquer alternativa para dar mais comodidade à doente, conta João Gaspar que não restou alternativa senão ir buscar uma manta e estende-la no chão para deitar a sua mãe. "Houve quem criticasse a decisão. Só quando perceberam que aquela imagem estava a ser registada é que alguém começou a agir", refere.

"Depois disso, tudo aconteceu como devia ter acontecido desde o início. Foi-lhe administrada morfina, duas vezes. Recebeu soro. Foram feitos exames. Os meios existiam, o que faltou foi humanidade", sublinhou na carta aberta que diz não ser contra os profissionais de saúde. "É contra um sistema que permite que uma doente oncológica terminal fique no chão", finalizou.

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