Do polo cultural em Carnide à ambulância para animais

São 15 os projetos vencedores do Orçamento Participativo. Foram a votos 128 ideias que recolheram um total de 37 673 votos

A criação de um polo cultural em Carnide, com capacidade para receber espetáculos de teatro; a colocação de uma peça de arte pública em todas as freguesias da cidade com a palavra Lisboa; a construção de um parque de Recreio Infantil no Bairro da Horta Nova, em Carnide. Estes são os três projetos mais votados pelos lisboetas, entre os 15 vencedores do Orçamento Participativo de Lisboa de 2017/2018.

Esta 10.ª edição do OP de Lisboa - iniciativa que pretende convidar os cidadãos a participar ativamente na dinâmica do município - recebeu 434 propostas, que depois de analisadas pelos técnicos dos vários serviços camarários, culminaram em 128 projetos. Durante um mês (entre 17 de outubro e 22 de novembro) foi dada a voz aos cidadãos para votarem nas ideias que gostariam de ver implementadas com os 2,5 milhões de euros que a Câmara de Lisboa disponibiliza para o Orçamento Participativo - um milhão para a execução dos projetos "estruturantes" (até 500 mil euros) e 1,5 milhões para os projetos "locais".

O que recebeu maior aceitação, com um total de 5992 votos, foi o polo cultural de Carnide (Benfica), que terá um custo de 500 mil euros. A ideia passa pela "construção de uma estrutura para dinamização e para a produção de espetáculos de teatro, formações e atividades de cariz performativo e de inclusão social".

"Portugal em Lisboa, Turismo e Criatividade", foi o segundo mais votado (4114 votos). Este projeto, na área temática de reabilitação urbana e espaço público, pretende que seja colocada "uma peça de arte pública no espaço urbano com a palavra Lisboa, em que cada letra simbolize uma dimensão cultural relacionada com Lisboa e Portugal". É para aplicar nas várias freguesias da cidade e está orçado em 93 mil euros.

Ainda na categoria de "Estruturante", os cidadãos deram a vitória à aquisição de uma ambulância e equipamento de emergência veterinária para socorro animal, que recolheu 2504 votos, e terá uma verba atribuída de 150 mil euros. O projeto é para aplicar em toda a cidade, e pretende-se que o equipamento esteja dotado com pelo menos duas boxes para cão e três de gato.

Com 1425 votos o Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa (RSBL), na freguesia de Alvalade, vai ver a sua piscina requalificada. Num investimento de 500 mil euros, o projeto tem como objetivo melhorar a funcionalidade e assegurar a acessibilidade em todo o piso térreo.

Na categoria de "Projetos Locais" saíram vencedoras 11 ideias, contemplando as zonas do centro histórico, centro, norte, ocidental e oriental da cidade.

Na Doca de Santo Amaro vai nascer um novo pontão municipal, num investimento de 80 mil euros. Este pontão de embarcações de remo consiste num conjunto de módulos flutuantes com articulação flexível, que irá permitir a atracação de embarcações de ambos os lados, em todas as condições de maré. O pontão deverá ainda ter um pequeno passadiço de acesso e será fixo à margem.

No centro histórico, em Santa Maria Maior, será edificado um memorial de evocação da escravatura, no valor de 100 mil euros. O objetivo é homenagear as vítimas da escravatura e celebrar a abolição da escravatura e do tráfico de pessoas escravizadas.

Ao longo de todas as edições, os cidadãos apresentaram um total de 5770 propostas, das quais 1829 foram a votação. Os munícipes já elegeram 105 vencedores, como é o caso das ciclovias em Campolide e Belém, a criação da incubadora de empresas StartUp Lisboa, a criação de um jardim no Caracol da Penha e um pavilhão desportivo na freguesia de Carnide.

"Este é um grande movimento social da cidade de Lisboa", salientou ontem o presidente da Câmara Municipal, Fernando Medina, na cerimónia de apresentação das ideias vencedoras. "O Orçamento Participativo não é hoje um instrumento só para realizar um projeto ou outro, transformou-se numa força de mobilização da cidade imparável", acrescentou o autarca.

Lisboa foi a primeira capital europeia a implementar um Orçamento Participativo, com o objetivo de aproximar a autarquia dos cidadãos.

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