Do Cais do Sodré em obras sairá uma cidade mais bonita

Projeto quer ligar Lisboa ao Tejo, dar-lhe espaços verdes e zonas para passear. As obras vão durar até ao próximo ano

Terra em vez de asfalto no que antes era estrada, retroescavadoras em funcionamento, polícias em permanência a orientar o trânsito que circula entre obras que só terminam no próximo ano.

Há dois meses que circular de carro no Cais do Sodré se tornou mais difícil, devido às obras de requalificação da Praça Duque de Terceira e do Jardim Roque Gameiro, que deverão prolongar-se até janeiro. O primeiro mês do próximo ano é também a data prevista para a conclusão da intervenção que decorre ali ao lado, no Corpo Santo. Já a empreitada no Campo das Cebolas deverá durar até março de 2017. Tudo para continuar a ligar a capital ao Tejo, dando mais espaço aos peões e aos transportes públicos em detrimento do automóvel.

"Acredito que sim, que a zona vai beneficiar", avalia Luís Gonçalves, sem abandonar o balcão da Tabacaria Britânica, na Praça Duque de Terceira. Até agora, o negócio não se ressentiu dos trabalhos que ali decorrem desde novembro, mas nem por isso o comerciante de 71 anos deixa de indicar pontos negativos: a falta de estacionamento e o ruído das apitadelas dos polícias e, sobretudo em hora de ponta, das buzinas dos carros. "O trânsito está um embaraço", justifica.

Luís Pinheiro, funcionário numa pastelaria vizinha, também defende que o Cais do Sodré já estava a precisar de uma intervenção, mas preferia que as obras não decorressem durante o verão, "principalmente por causa do turismo". Ainda assim, antevê efeitos positivos quando a empreitada ficar pronta, em janeiro do próximo ano.

Nessa altura, o Cais do Sodré terá um jardim que permitirá avistar o Tejo logo ao descer do Chiado, fruto quer da reformulação da placa central da Praça Duque de Terceira quer da requalificação do Jardim Roque Gameiro, mesmo ao lado da estação ferroviária ali existente.

Regresso do 24 é hipótese

Na prática, o projeto de Bruno Soares prevê que o centro da primeira assuma um formato triangular e mantenha a calçada portuguesa, que a do segundo seja alargada e arborizada e que o corredor de transportes públicos da Avenida 24 de Julho seja prolongado até ao Corpo Santo, de modo a criar condições para o regresso do elétrico 24 dali até, pelo menos, às Amoreiras - um desejo antigo da cidade

O Corpo Santo, até novembro um parque de estacionamento informal, está, de resto, a ser simultaneamente transformado numa praça que permitirá o acesso à Rua do Arsenal, segundo projeto do mesmo arquiteto e com conclusão igualmente prevista para janeiro.

As informações foram prestadas em dezembro, durante uma visita do presidente do município, Fernando Medina, às obras de requalificação do Cais do Sodré, do Corpo Santo e do Campo das Cebolas, orçadas em cerca de 18 milhões de euros. Deste montante, 12 milhões serão investidos no espaço entre a Casa dos Bicos e o Tejo, redesenhado por Carrilho da Graça.

O objetivo é que a área que consistia num parque de estacionamento desorganizado passe a ser dotada de uma infraestrutura semissubterrânea com cerca de 200 lugares, onde será integrado um muro do antigo Cais da Ribeira Velha. O parqueamento, adiantou em dezembro o autor do projeto, ficará sob uma praça arborizada, "despretensiosa e acolhedora", que incluirá, graças a um protocolo entre o município e a Marinha, a devolução a lisboetas e visitantes de parte do espaço da Doca da Marinha.

"É um projeto de excelência", sublinhou, na ocasião, Fernando Medina, adiantando que a intervenção se insere no reperfilamento da Avenida Infante D. Henrique. A previsão é de que esteja terminada em março do próximo ano. Nessa altura, será então possível caminhar à beira-rio entre o Cais do Sodré e a estação fluvial de Sul-Sueste, com passagem pela Ribeira das Naus e pelo Terreiro do Paço.

O certo é que, até que tal se concretize, serão muitas as restrições à circulação automóvel na zona ribeirinha da capital, por agora restritas ao Cais do Sodré. Os percursos Avenida da Índia/Alcântara-Avenida de Ceuta-Praça de Espanha-Areeiro-Santa Apolónia e Avenida Infante D. Henrique-Xabregas/Avenida Mouzinho de Albuquerque-Rua Morais Soares-Avenida Almirante Reis são algumas das alternativas sugeridas pela autarquia no seu site.

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