Segundo Álvaro Almeida, o quadro global de referência para 2026 prevê a estabilização das listas de espera para consultas e uma ligeira melhoria nas cirurgias
Segundo Álvaro Almeida, o quadro global de referência para 2026 prevê a estabilização das listas de espera para consultas e uma ligeira melhoria nas cirurgias FOTO: Arquivo

Diretor do SNS admite que não será possível eliminar listas de espera por falta de profissionais

Álvaro Almeida assume ainda que não será possível, a curto prazo, atribuir médico de família a toda a população.
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O diretor executivo do SNS, Álvaro Almeida, admitiu esta quarta-feira, 8 de abril, que não será possível eliminar as listas de espera, não por restrições financeiras ou ordens, mas pela falta de médicos e enfermeiros e pelo aumento da procura.

“Como não há médicos e não há enfermeiros em números suficientes, não conseguiremos aumentar a produção tanto quanto seria necessário para eliminar as listas de espera. Essa é uma realidade que nós temos que reconhecer”, disse Álvaro Almeida na comissão parlamentar da Saúde, em resposta a críticas sobre a insuficiência dos aumentos de 1% nas consultas e 3% nas cirurgias previstos para este ano.

Álvaro Almeida, que foi ouvido a pedido do PS “sobre instruções da Direção Executiva do SNS relativas à contenção da produção assistencial em 2026 e às restrições de recursos financeiros e humanos”, admitiu ainda que não será possível, a curto prazo, atribuir médico de família a toda a população.

Observou que, apesar de se ter registado, “em fevereiro ou em março de 2026, o maior número de utentes com médico de família desde há muitos anos”, continua a aumentar o número de utentes.

“Apesar de neste momento o SNS ter uma capacidade de resposta em quantidade e qualidade como nunca teve, o facto é que, provavelmente, precisaríamos de aumentar ainda mais essa capacidade de resposta para responder às necessidades da população que crescem muito rapidamente”, salientou.

O responsável reforçou que o SNS contrata todos os médicos especialistas que queiram trabalhar no SNS, estando a valorizar as carreiras para poder tornar mais atrativo o Serviço Nacional de Saúde, mas o problema é a escassez de profissionais que afeta todos os sistemas de saúde europeus.

Na audição, a deputada Cristina Esteves (Chega) alertou para o crescimento das listas de espera, citando que apenas 48,6% das consultas e 68,6% das cirurgias respeitam os tempos máximos de resposta garantidos. Defendeu que para combater efetivamente as listas de espera seriam necessários aumentos de 10 a 15% nas consultas e 8 a 12% nas cirurgias, metas que disse que não vão ser atingidas.

Em resposta, o diretor executivo do SNS admitiu que esse cenário não é possível. “Será provavelmente qualquer coisa desse género, [mas] isso não é possível”: "As listas de espera são algo com que vamos ter que viver e o nosso esforço tem de ser – e é nisso que estamos empenhados – evitar o seu aumento”.

Segundo Álvaro Almeida, o quadro global de referência para 2026 prevê a estabilização das listas de espera para consultas e uma ligeira melhoria nas cirurgias, impulsionada pela introdução do Sistema Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia (SINAC), que começará pela área cirúrgica.

“Na consulta será mais difícil, porque faltam recursos assistenciais. Não porque foram impostas limitações, mas porque o sistema não dispõe de profissionais suficientes”, reforçou.

Apontou ainda como exemplo da maior pressão sobre o SNS, o consumo de medicamentos que cresceu cerca de 6% em 2025, refletindo um aumento equivalente nas necessidades de tratamento da população.

“Mas a procura está a aumentar muito porque o número de utentes está a aumentar muito, sobretudo, porque a população está a aumentar, mas também está a aumentar porque estamos a investir em rastreios que permitem identificar mais precocemente as necessidades da população”, declarou.

O diretor executivo destacou ainda medidas estruturais que visam aumentar a capacidade e a qualidade do SNS, mesmo sem eliminar as listas de espera, nomeadamente rastreios e prevenção, hospitalização domiciliária, reforço da rede nacional de cuidados continuados integrados e maior eficiência na utilização de recursos.

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