Desocupação forçada de protesto pela habitação gera confrontos e detenções no Rossio
A Polícia de Segurança Pública (PSP), através do seu Corpo de Intervenção, desmantelou na madrugada desta terça-feira os acampamentos de protesto instalados na Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa, e no Porto.
A operação resultou na detenção de 50 manifestantes que ofereceram resistência às autoridades, sendo que um deles ficou ferido, de acordo com a PSP.
De acordo com relatos televisivos, a intervenção policial teve início pouco antes das seis horas da manhã, momento em que a PSP emitiu um aviso final para a desocupação imediata do espaço. As ações na capital e no Porto decorreram em simultâneo.
Numa tentativa de travar o avanço das forças de segurança, os ativistas concentrados no Rossio desde o passado sábado formaram um cordão humano. Contudo, a unidade de intervenção progrediu sobre o perímetro, desencadeando confrontos em que alguns manifestantes acusaram a polícia de uso excessivo da força.
A ação policial culminou com a identificação e detenção de diversos indivíduos, que aguardaram os procedimentos legais sentados no recinto da praça.
Após a retirada forçada, os ativistas recuaram em direção à Praça da Figueira, onde se concentraram temporariamente. O grupo acabou por decidir desmobilizar, mas deixou a garantia de que irá retomar as ações de protesto na próxima quarta-feira.
No Rossio, a PSP removeu a totalidade das tendas que ocupavam o recinto. Segundo confirmou a agência Lusa no local, as equipas municipais iniciaram de imediato os trabalhos de limpeza e reposição da normalidade na zona.
A iniciativa, organizada sob o mote "Não dá mais? Então monta a tua tenda!", visava contestar a perda de qualidade de vida e a atual crise na habitação. Horas antes da intervenção, durante a madrugada, os participantes tinham votado a favor da continuidade do acampamento, ignorando os apelos prévios das autoridades que tentavam evitar uma desocupação coerciva.
Dirigindo-se através de um megafone às centenas de pessoas que permaneciam na Praça D. Pedro IV (Rossio), a porta-voz da Acampada de Lisboa, Ana Luíza, partilhou os detalhes de uma comunicação estabelecida com a Polícia de Segurança Pública (PSP) por volta da meia-noite.
Segundo a representante, as autoridades dirigiram um apelo aos manifestantes para que abandonassem voluntariamente o local, alertando que uma desocupação forçada poderia ocorrer a qualquer instante, embora sem definir um horário concreto.
Manifestantes no Porto retiram tendas sob ameaça de detenção
No Porto, os manifestantes que ocupavam a Praça D. João I há cerca de uma semana, em protesto contra a crise na habitação, optaram por desmantelar o acampamento na madrugada desta terça-feira face à iminência de uma carga policial.
Imagens divulgadas pelos canais de televisão mostram que, pouco antes das seis da manhã, a Polícia de Segurança Pública (PSP) fez um aviso final aos presentes. As autoridades exigiram a remoção imediata das dezenas de tendas instaladas e advertiram que quem resistisse seria detido.
Perante a ordem, o grupo acatou a indicação e começou a recolher o material de campismo, embora alguns ativistas tenham decidido permanecer temporariamente no local.
Na noite de segunda-feira, uma assembleia popular que reuniu 35 manifestantes votou a favor da continuidade do acampamento no Porto, onde as ações de protesto pelo direito à habitação decorrem desde o dia 10 de outubro.
Esta decisão surgiu depois de o coletivo já ter sido alertado pelas autoridades na noite anterior. Tal como aconteceu na capital, a polícia informou os ativistas de que a ocupação do espaço público era ilegal, advertindo que a insistência na permanência configuraria um crime de desobediência.
