Descobrir Portugal pelos seus pés. O que interessa é o caminho

Livro reúne os melhores 200 percursos pedestres para conhecer o país. Miguel Judas, o autor, desafia: "é só meter um pé a seguir ao outro"

Convento dos Capuchos, em Sintra. Fundado no século XVI por frades franciscanos, que aqui queriam viver em "estreita relação com a natureza". Pelo caminho de 4,5 quilómetros, no meio de cedros, carvalhos, medronheiros e urzes, "sempre a subir, chega-se ao marco geodésico, onde a deslumbrante vista impõe uma paragem mais demorada - nos dias limpos consegue-se avistar a linha de costa quase até ao cabo Espichel". É assim que o percurso do Monge, descrito por Miguel Judas, no livro Os melhores percursos de trekking de Portugal.

O jornalista (colaborador do Diário de Notícias) escolheu 200 percursos pedestres para conhecer Portugal de uma forma única. Com a garantia de que todos os caminhos podem ser percorridos por "qualquer pessoa".

O guia, dividido por regiões, tem a indicação dos quilómetros, do ponto de partida e de chegada e ainda se tem "interesse histórico, paisagístico, se passa por alguma aldeia", explica o autor.

Habituado a escrever sobre viagens por Portugal, Miguel Judas é também um adepto do desporto. "Há mais de 20 anos que pratico corrida e há muito que faço trail." Duas paixões que se juntaram e que o próprio já nem sabe bem qual começou primeiro.

Por isso, os percursos escolhidos fazem parte do seu portfólio: "Não os percorri todos, fiz a maior parte, e outros são em zonas que conhecia bem, não de caminhadas mas de trail. Depois são percursos que estão marcados e são reconhecidos oficialmente, quer por municípios quer por associações locais." Um selo de que estes percursos são seguros.

Mas, entretanto, desde que o livro foi escrito, Miguel Judas já conheceu outros caminhos que gostava de incluir na lista. "Já conheci uns quatro ou cinco percursos que gostava de ter incluído, quem sabe numa segunda edição", adianta.

Nos seus percursos falta apenas "fazer uns roteiros na Madeira, de montanha, que só fiz parte e gostaria de fazer com mais tempo e também gostava de fazer a Via Algarviana". Esta última tem partida em Alcoutim e chegada ao cabo de São Vicente, pelo meio ficam 300 quilómetros a andar, do Guadiana até ao Atlântico. O percurso atravessa 11 concelhos e 21 freguesias. Diz a lenda que o caminho terá tido origem num antigo trilho religioso moçárabe, percorrido na idade média pelos peregrinos vindos do Alentejo e interior do Algarve, em direção ao promontório de Sagres, onde foram encontradas as relíquias de São Vicente, pode ler--se no livro.

Apesar da magnitude deste percurso, o autor garante que todos os caminhos são acessíveis. "É só começar a andar. É óbvio que se vai fazer uma grande rota tem de ter alguma preparação, mas este livro é para quem quer começar ou fazer de forma muito leve os caminhos sugeridos, não é para quem já tem mais experiência."

Assim, caro caminhante, se vai fazer um percurso de até seis quilómetros, é só pegar em calçado e roupa confortável. "Mais do que isso já requer roupa e calçado apropriado para a caminhada, água e comida para repor energias e um chapéu. E, claro, vontade. Depois é só meter um pé a seguir ao outro."

Conhecer o país - continente e ilhas - assim, garante Miguel Judas, permite "ver sítios que de outra forma não se chegaria lá, porque só tem acesso pedestre". Além disso, "muita coisa está escondida, só com tempo é que se vê e só assim se repara nas pessoas no caminho".

Quem seguir estas sugestões de viagens, tem como garantia: "O mais importante não é a partida nem a chegada. O que interessa é o caminho."

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