Descida do Tejo em canoa alerta para problemas do rio

Esta "é uma forma de mostrar porque é que vale a pena preservar o rio e o património que lhe está associado e denunciar o que tem vindo a causar efeitos nefastos à água do Tejo"

Mais de uma centena de pessoas, entre portugueses e espanhóis, desceram hoje o Tejo em canoa, desde a praia fluvial de Mouriscas até ao Aquapolis, em Abrantes, com o objetivo de chamar a atenção para os problemas do rio.

No final da descida, num troço de nove quilómetros que demorou mais de três horas do que o previsto devido ao baixo caudal do rio, Paulo Constantino, do movimento ProTejo, disse à agência Lusa que as organizações portuguesas e espanholas que promoveram a iniciativa "Vogar Contra a Indiferença", este ano na sua quinta edição, têm problemas comuns.

"Queremos uma gestão comum e sustentável da bacia hidrográfica do Tejo", disse Constantino, sublinhando que a ação de hoje visou "alertar para os obstáculos e problemas de navegabilidade" no rio.

O tema da iniciativa era a "conetividade fluvial e a navegabilidade no rio Tejo, uma vez que o travessão construído pela Pegop - Central Terrmoelétrica do Pego [que atravessa o Tejo no troço hoje percorrido] não permite a navegabilidade para montante e jusante, porque, chegados ali, tivemos de atravessar com as canoas por cima do travessão", contou Constantino.

Aquele obstáculo "não permite a passagem de embarcações de pequeno porte, nomeadamente para montante, e a nossa ação de hoje é para que não caia no esquecimento por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a necessidade de encontrar uma solução para este problema", frisou, tendo alertado para os problemas dos transvases em Espanha, a retenção das águas nas barragens espanholas e da instabilidade dos caudais do rio.

"Defendemos a necessidade da revisão da Convenção de Albufeira [documento que regula a gestão ibérica das águas do Tejo], com uma gestão única para todo o Tejo ibérico e com caudais ecológicos sustentáveis para a fauna e flora e que salvaguardem a identidade das populações ribeirinhas", disse o porta-voz do ProTejo.

Esta "é uma forma de mostrar porque é que vale a pena preservar o rio e o património que lhe está associado e denunciar o que tem vindo a causar efeitos nefastos à água do Tejo, como a poluição agrícola e industrial e mesmo nuclear (dada a existência da central de Almaraz)", disse Constantino, relativamente a uma ação ambientalista que juntou cerca de 70 portugueses e 30 ativistas espanhóis.

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