Duas horas de debate em que só se concordou num ponto: a recuperação de aprendizagens. Depois de 120 minutos em que se priorizaram as críticas ao atual Governo e existiram trocas de acusações entre o PS e o PSD, os grupos parlamentares apenas chegaram a um entendimento acerca de duas resoluções (recomendações sem força de lei) propostas pelo PSD e Iniciativa Liberal..A Assembleia da República foi mais uma vez palco de uma discussão acesa sobre os principais problemas do setor da Educação. Das recomendações ao Governo apresentadas no parlamento pelo PSD, IL e Livre, apenas duas foram aprovadas (ainda que com abstenção do PS), nomeadamente as propostas de reforço da eficácia das medidas de recuperação de aprendizagens e no reforço e prolongamento do plano 21/23 Escola+..Na véspera da sexta reunião negocial entre a tutela e os sindicatos, no parlamento foram rejeitados os projetos-lei do PSD e da IL para reintroduzir as provas de aferição no final do 4.º e do 6.º anos de escolaridade, eliminando as que existem atualmente no 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade..Apenas com votos contra da maoria do PS, foi também rejeitado o projeto-lei do proposto pelo Livre que pretendia estipular números máximos de alunos nas turmas dos vários graus de ensino, dependendo do ano de escolaridade..Durante o debate, ouviram-se bastantes críticas ao atual Governo, bem como ao primeiro-ministro António Costa e ao ministro da educação, João Costa - "os grandes responsáveis pelo período crítico que aflige a escola pública", segundo António Cunha, deputado do PSD.."A maioria absoluta de António Costa continua a falhar aos alunos e professores", disse o deputado, frisando que "em sete anos nem uma medida" foi feita para a valorização da profissão. Também a deputada da Iniciativa Liberal Carla Castro apontou os deslizes do Governo que "falha às crianças, ao pessoal docente e não docente e ao edificado".."Na escola e na educação não se está a cumprir os mínimos, quando devíamos estar a chegar aos máximos", disse a deputada."É preciso uma reforma na educação, mas é também preciso reformar o governo", concluiu..Por outro lado, os deputados socialistas acusaram a oposição de não apresentar soluções concretas para resolver os problemas das escolas..O socialista Tiago Estêvão Martins destacou a "distância entre aquilo que o PSD disse que vinha discutir e aquilo que apresentou" e criticou anteriores posições do partido que defendeu que "havia professores a mais" - um argumento também utilizado pela deputada do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua. "Não houve um dirigente no PSD que não dissesse que havia professores a mais em Portugal", disse a deputada do BE..A troca de acusações passou, aliás, por todos os grupos parlamentares, que na sua maioria, caracterizaram como "vagas" as cinco propostas do PSD levadas a discussão na Assembleia da República que recomendavam "medidas estruturais e urgentes", sem, no entanto, precisar quais..Por sua vez, o deputado socialista Porfírio Silva relembrou a evolução do ensino em Portugal nos últimos 30 anos, cujo abandono escolar regista minimos históricos e o facto de atualmente milhares de jovens terem acesso ao ensino superior - uma intervenção fortemente criticada pelo Chega. "Se temos professores com salários miseráveis, a escola a degradar-se pouco a pouco e o ministério da Educação a destruir-se numa gestão danosa que tem de ser identificada, a culpa tem o nome de um homem que já nasceu no século XX e que se chama António Costa", disse André Ventura..O debate ficou ainda marcado pelo protesto de um grupo de seis professores, que interrompeu a sessão com gritos e exibiu cartazes com a palavra "justiça" escrita nas costas, tendo sido retirados das galarias do parlamento pelos agentes da PSP após solicitação do presidente da Assembleia da República.Com cinco meses de negociações, o Ministério da Educação e os representantes dos professores voltam a reunir-se esta quinta-feira para a sexta ronda negocial, a partir das 10h00. O Secretário de Estado da Educação, António Leite, irá presidir à reunião com as 12 organizações sindicais para discutir um novo regime de recrutamento e contratação de professores, depois de João Costa ter garantido "total disponibilidade" para discutir a valorização da carreira docente. Os sindicatos poderão pedir reuniões complementares visto existirem ainda matérias sem acordo à vista..ines.dias@dn.pt