Da cereja à moda do Porto às tragédias sem fim à vista

Dois treinadores de futebol, Sérgio Conceição e José Mourinho, estiveram em destaque na semana em que a guerra na Ucrânia passou a barreira dos três meses e em que os Estados Unidos foi palco de mais um sangrento tiroteio numa escola.

Sábado, 21 de maio

A anunciada visita de Costa e o destino de Kiev

Anunciada por Marcelo uns dias antes, apanhando de surpresa o próprio António Costa - "se o Presidente da República anunciou, está anunciado" -, a visita do primeiro-ministro à Ucrânia veio a confirmar-se no sábado e levou-o ao encontro de Zelensky e às ruas de Irpin, área residencial nos arredores de Kiev que foi massacrada por bombardeamentos russos nas primeiras semanas da invasão. Costa revelou-se impressionado com o que viu e que classificou como sendo criminoso: "Sabemos que a guerra é sempre dramática, mas a guerra tem regras. Aqui, já não estamos a falar de uma guerra normal, mas de atos verdadeiramente criminosos". A visita serviu ainda para o governo português anunciar um apoio de 250 milhões de euros à Ucrânia, mostrar-se disponível para "patrocinar a reconstrução de escolas e jardins de infância" e prestar apoio técnico a Kiev no processo de adesão à UE até porque, considerou Costa, "o destino da Ucrânia é a Europa". A velocidade com que se cumprirá esse destino vai, no entanto, exigir mais do que palavras de circunstância dos líderes europeus.

Domingo, 22 de maio

FC Porto. Dobradinha com sabor a "cereja"

O FC Porto confirmou no domingo a "cereja no topo do bolo" que Sérgio Conceição pretendia, juntando a conquista da Taça de Portugal à do campeonato, consumando assim a 9.ª dobradinha do seu historial. Com o regresso da festa da Taça ao Jamor, após dois anos em que a final foi disputada em Coimbra devido à pandemia, o FC Porto despachou o Tondela por 3-1 e fechou da melhor maneira uma época notável do ponto de vista interno, em que bateu os recordes de pontos na Liga e de jogos invicto e, sobretudo, deu espaço na equipa principal a vários jovens vindos da formação, como Diogo Costa (novo dono da baliza, também na seleção nacional), Vitinha, Fábio Vieira, João Mário e Francisco Conceição. Nesta história de sucesso, natural destaque para o papel que Sérgio Conceição tem tido na reconstrução do FC Porto nos últimos cinco anos. O treinador, que ainda tem mais dois anos de contrato, destacou o grupo na hora do triunfo: "A nível humano, foi dos melhores que tive, o melhor, aliás, porque teve a humildade de perceber o porquê de não ganharmos no ano passado".

Segunda-feira, 23 de maio

Monkeypox e covid-19. Um avanço e um recuo

Com os números da pandemia de novo a crescer em Portugal, o governo recuou, pelo menos parcialmente, e voltou a disponibilizar testes rápidos de antigénio gratuitos nas farmácias, mas obedecendo a duas condições: têm de ser prescritos e não podem custar ao Estado mais de 10 euros. Nesta segunda-feira, segundo o site Our World in Data, Portugal era o país da UE com mais novos casos de covid-19 por milhão de habitantes a sete dias, numa altura em que a linhagem BA.5 da variante Ómicron já era dominante no país. Outro vírus que está a preocupar as autoridades de saúde é o de Monkeypox, um surto que já levou o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças a pedir aos países para atualizarem os seus meios de rastreio e diagnóstico. Em Portugal (74 casos detetados até ontem), o INSA anunciou que o país foi o primeiro a conseguir sequenciar o genoma do vírus, passo "fundamental para compreender a origem do surto e as causas para a rápida disseminação da doença".

Terça-feira, 24 de maio

Guerra e tiroteios. Duas tragédias sem fim à vista

Três meses depois de iniciar o pior conflito na Europa desde a II Guerra Mundial, Moscovo veio dizer que não tem prazo fixo para terminar a "operação militar especial" e que todos os objetivos que o regime de Putin estipulou "serão alcançados". A Ucrânia, por seu turno, voltou a apelar ao fornecimento de "armas antimísseis e aviões de combate modernos" para responder ao maior poderio militar russo. Além disso, foi publicada pelo Instituto de Sociologia de Kiev uma sondagem que mostra que 82% dos ucranianos são contra ceder territórios em troca de um acordo de paz com a Rússia. Todos os sinais apontam no mesmo sentido: a guerra está longe do fim. O dia ficou ainda marcado por um tiroteio (mais um) numa escola do Texas que resultou na morte de 19 crianças e dois adultos. Num país cada vez mais polarizado politicamente (sendo a posse e venda de armas um dos principais campos de batalha), não foi surpresa para ninguém que o assunto motivasse nova e acesa discussão entre democratas e republicanos. Mas, sem espaço para cedências, também aqui há pouca esperança que alguma coisa de substancial mude a tempo de evitar uma nova tragédia.

Quarta-feira, 25 de maio

José Mourinho, special one parte V

Foi a mostrar os cinco dedos da mão direita aos adeptos que José Mourinho começou a festejar a conquista da Liga Conferência, em Tirana, cidade que recebeu a primeira final deste troféu (vitória por 1-0 da AS Roma sobre o Feyenoord). O gesto tem uma explicação simples: são cinco as finais europeias disputadas pelo treinador português e ganhou-as todas. A separar a primeira (Taça UEFA, pelo FC Porto, em 2003) da última estão quase 20 anos de carreira, praticamente sem interrupções e sempre ao mais alto nível competitivo. A chegada de Mourinho à capital italiana foi interpretada por muitos como sendo um passo atrás na carreira, já que a Roma nem sequer entrava no lote de candidatos à conquista do campeonato (terminou em 6.º lugar). Numa entrevista recente a Joe Cole, seu ex-jogador no Chelsea, o técnico explicou que a Roma o seduziu com algo que nunca experimentara antes: o que lhe pediam era que construísse uma equipa, com tempo, sem a pressão a que estava habituado para somar troféus no imediato. Mourinho começou a construir, sim, mas fê-lo logo a ganhar. Está dada a resposta a quem já antevia o ocaso da sua carreira: o estatuto de special one mantém-se intacto.

Quinta-feira, 26 de maio

Mais crimes de jovens e de gangues

Na análise ao Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2021, o DN deu conta de um forte aumento da criminalidade jovem (+7,3%) e grupal (+7,7%). São dados preocupantes e que merecem atenção. Quer pela idade dos praticantes - jovens entre os 12 e 16 anos -, quer pelo aumento do grau de violência associado à atividade de gangues (a PJ tem pelo menos 30 identificados), sendo cada vez mais frequentes episódios que envolvem não só agressões físicas como tiroteios e esfaqueamentos. Numa reação aos números do RASI, Jorge Bacelar Gouveia, presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), identificou uma explicação para estes aumentos: o desinvestimento no policiamento de proximidade. Ter agentes de segurança que realmente conheçam as comunidades onde atuam, antecipando e identificando problemas antes que estes se tornem mais sérios, pode até não resolver tudo, mas será sempre um passo correto no sentido da prevenção.

Sexta-feira, 27 de maio

OE. Do rolo compressor ao virar de página

Como era esperado, o Orçamento do Estado para 2022 foi aprovado em votação final global com os votos favoráveis da maioria absoluta socialista. A única surpresa acabou por ser a abstenção dos três deputados do PSD-Madeira, contra a disciplina de voto que tinha sido decretada na sua bancada parlamentar. Além destes três, também os deputados únicos do PAN e do Livre se abstiveram. PSD, Chega, IL, PCP e BE votaram contra. A oposição queixou-se da falta de diálogo do PS em todo este processo. O PSD falou num "rolo compressor da maioria absoluta, que pensa que só o PS é bom e que o que não é PS não presta", enquanto o PCP afirmou que a discussão do OE veio provar que o "apregoado diálogo da maioria absoluta é uma farsa". As críticas repetiram-se da esquerda à direita, e à porta da Assembleia da República uma ação da CGTP juntou centenas de pessoas a reclamar aumentos salariais. António Costa apontou noutro sentido: "Virámos a página desta crise".

pedro.sequeira@dn.pt

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