Covid-19. Tendência crescente ameaça final do ano

Evolução da situação epidemiológica no país engloba aumento de casos, da incidência e de internamentos, com os cuidados intensivos em máximos desde início do mês. Relatório das linhas vermelhas lança aviso para final do ano

Os vários indicadores de análise não deixam espaço para dúvidas: a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal está de novo em fase de agravamento. E isso reflete-se nas enfermarias dos hospitais, bem como nas unidades de cuidados intensivos. De acordo com o boletim diário divulgado ontem pela Direção-Geral da Saúde (DGS), o número de doentes internados (331) é o mais alto desde 13 de outubro, enquanto em cuidados intensivos já não havia tantos doentes covid (65)desde o dia 4.

O mais recente relatório sobre monitorização das linhas vermelhas, divulgado ontem, refere que "a análise dos diferentes indicadores revela uma atividade epidémica de SARS-CoV-2 de intensidade reduzida", mas "com tendência crescente nível nacional". A análise de risco da DGS e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) deixa um alerta para o final do ano, admitindo que Portugal pode ultrapassar a barreira dos 240 casos por 100 mil habitantes a 14 dias dentro de um a dois meses, "a manter esta taxa de crescimento, a nível nacional".

O relatório avisa que embora a pressão nos serviços de saúde e o impacto na mortalidade sejam reduzidos, regista-se uma "possível inversão de tendência e o início de fase de crescimento nos internamentos em UCI", que para já, no entanto, continuam a 24% do valor crítico definido como linha vermelha, o qual corresponde a 255 camas ocupadas.

A região Norte é, neste particular, aquela com maior percentagem de ocupação (25%), enquanto o Alentejo tem a situação menos preocupante nas UCI (20%). O grupo etário com maior número de casos em cuidados intensivos é o dos 60 aos 79 anos, apresentando uma tendência crescente nas últimas semanas.

"A manter esta taxa de crescimento, a nível nacional, estima-se que o limiar de 240 casos em 14 dias por 100 mil habitantes possa ser ultrapassado em um a dois meses", refere o relatório das autoridades de saúde.

Num dia em Portugal registou mais 844 casos confirmados de infeção com o coronavírus SARS-CoV-2, além de quatro mortes, os dados sobre a curva epidémica divulgados pelo INSA, mostraram uma média de 728 novos casos por dia nos últimos cinco dias, um valor superior aos 628 registados no relatório anterior. Além disso, há cinco dias consecutivos que os números de doentes internados em enfermaria têm aumentado.

Também a taxa de incidência de infeções nos últimos 14 dias a nível nacional continua a subir, situando-se agora nos 97,4 casos por 100 mil habitantes, segundo o boletim epidemiológico conjunto da DGS e do INSA. Relativamente à incidência acumulada a 14 dias, o Centro e o Algarve apresentam uma taxa de entre 120 e 239,9 casos por 100 mil habitantes, enquanto as restantes regiões - Norte, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Açores e Madeira - têm um valor inferior a 119,9. A taxa de incidência mais baixa verifica-se no Norte, com 76,5, ea mais elevada no Algarve, com 137,7.

O grupo etário com incidência cumulativa a 14 dias mais elevada é o dos 20 aos 29 anos (154 casos por 100 000 habitantes), mas há uma tendência globalmente crescente em todos os grupos etários entre os 20 e os 79. Aquele que registou uma subida percentual mais acentuada em relação à semana anterior foi o dos indivíduos de 70-79 anos, com um acréscimo de 16%.

Já em relação ao índice de transmissibilidade (Rt), manteve-se em 1,08 a nível nacional. De acordo com o INSA, todas as regiões de Portugal estão com um Rt acima do patamar de 1, à exceção do Alentejo, que regista 0,98. O Centro, Lisboa e Vale do Tejo e a Madeira são as três regiões com um Rt superior ao nacional.

Menos mortes

A boa notícia, nesta altura, diz respeito à mortalidade por covid-19, "que baixou para 7,6 óbitos em 14 dias por 1 000 000 habitantes, uma diminuição de 19% relativamente à semana anterior (9,4 por 1 000 000) - mostrando uma tendência estável a decrescente nas últimas semanas", assinala o relatório das linhas vermelhas.

Dois concelhos em risco extremo

Penamacor juntou-se esta semana a Penedono como os únicos concelhos de Portugal no nível de risco extremo de infeção pelo vírus SARS-CoV-2, segundo o boletim epidemiológico da DGS. O risco extremo de infeção ocorre quando um concelho tem uma incidência cumulativa a 14 dias acima dos 960 casos de infeção por 100 mil habitantes.

Nos concelhos em risco muito elevado, ou seja, com uma incidência de entre 480 e 959,9 casos por 100 mil habitantes, regista-se um decréscimo de nove para apenas três numa semana. Ponte da Barca (523), São Pedro do Sul (493) e Seia (483). Em risco elevado (entre 240 e 479,9 casos por 100 mil habitantes a 14 dias), estão agora 18 concelhos.

Com agências

rui.frias@dn.pt

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