O presidente Confederação Empresarial de Portugal defendeu esta quinta-feira, 25 de junho, que a discussão sobre as alterações à lei laboral deve ser retomada, mas que o processo não deve ser "precipitado" e que deve existir "um documento novo de raiz".Em declarações à Lusa, à margem da iniciativa "O Futuro de Portugal”, organizada pelo IDL - Instituto Amaro Da Costa, em Lisboa, Armindo Monteiro indicou que o 'chumbo' da proposta de lei de revisão da legislação laboral não invalida que a discussão seja retomada."O propósito para as alterações propostas continua a ser absolutamente premente", defendeu, considerando que continua a haver "uma necessidade de fazer uma alteração ao Código do Trabalho".Para o líder da CIP, parceiros sociais e Governo têm agora "uma oportunidade de fazer diferente".Questionado sobre se a discussão deve ser retomada já na próxima reunião de Concertação Social, Armindo Monteiro considera que "este processo não pode ser um processo precipitado" e que "os parceiros [sociais] têm que estar de acordo" com a necessidade de retomar a discussão.Deste modo, para a CIP, caso a discussão seja retomada, esta deve partir de "um documento novo de raiz".No entanto, o presidente desta confederação sublinha que a necessidade de mexer nas leis laborais "não é uma birra da CIP"."A CIP tem muitas discussões e portanto não quer concentrar toda a sua energia em volta do Código do Trabalho", sublinhou, dando como exemplos os salários e as pensões.Questionado sobre se tornaria mais provável uma eventual aprovação no parlamento caso o Governo tivesse vertido na proposta de lei todas as medidas que constavam do último documento discutido na Concertação Social, Armindo Monteiro disse acreditar que "teria sido mais benéfico", mas afirma compreender "a posição do Governo" de ter optado por um documento que lhe permitisse "ter margem para negociar", isto é, "dando aos partidos aquilo que já tinha dado à UGT"."Portanto, entendo isso mais como uma estratégia negocial, do que propriamente como uma questão de querer ir mais longe ou querer ir mais perto", afirmou.Questionado sobre se o Governo explicou da melhor forma as razões que tinha para alterar o Código do Trabalho, Armindo Monteiro admite que numa fase inicial "foi criada uma primeira impressão que, de alguma maneira, condicionou as explicações seguintes".Na sua intervenção durante o almoço organizado pelo IDL, o presidente da CIP já tinha referido a necessidade de alterar a legislação laboral, admitindo que é uma "matéria que gera desconforto".“E as matérias que geram desconforto, os partidos entenderam ou ignorá-las ou não querer dar a cara por elas. Isto aconteceu na Assembleia da República como já tinha acontecido em Concertação Social", rematou.A proposta do Governo para rever a legislação laboral foi chumbada na sexta-feira passada, na generalidade, com os votos contra do Chega e da esquerda parlamentar, após o partido de André Ventura não ter alcançado um acordo com o PSD.O texto contou apenas com os votos a favor dos partidos que suportam o Governo (PSD-CDS-PP) e da IL.Chega, PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP votaram contra.Após não ter alcançado acordo na Concertação Social, a proposta de lei deu entrada na Assembleia da República em 18 de maio e contemplava "mais de 50 alterações" ao anteprojeto inicial, das quais 12 provenientes da UGT, segundo referiu a ministra do Trabalho.