Choques elétricos para o combate à obesidade

Tratamento inovador promete ser solução para quem não consegue perder peso

Uma nova terapia não invasiva e indolor dá esperança a quem não consegue perder peso. O tratamento consiste em aplicar descargas elétricas na cabeça e promete ser o novo método de combate à obesidade que está a ser testado por investigadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), no Brasil.

Este tratamento, que já foi testado em dez países, consiste em realizar pequenas descargas elétricas de baixa intensidade na região do cérebro responsável pelo controlo da fome, de forma a alterar hábitos alimentares com a perda da sensação de fome e vontade de comer, e consequentemente diminuir a obesidade.

A investigação conta com a participação de 36 mulheres, com idades entre os 20 e os 40 anos, que apresentam índices de massa corporal (IMC) com valores entre os 30 e os 35 kg/m2, sendo que a partir dos 30 de IMC já é considerada obesidade. Cada uma das voluntárias vai realizar dez sessões com descargas elétricas e após o tratamento são aconselhadas a seguir um plano de dieta programado pela USP. "Após duas semanas de estimulação cerebral associada à dieta hipocalórica (dieta que consiste em controlar as quantidades de calorias ingeridas), elas voltam para casa, seguem a dieta e nós acompanhamo-las por seis meses, para saber a perda de peso e as escolhas alimentares que elas fazem", explica a investigadora Priscila Giacomo Fassini, num comunicado.

Este tratamento tem como objetivo combater a obesidade e evitar a recuperação do peso após o fim do plano alimentar. A investigadora afirma que "esta é uma proposta clínica inovadora que utiliza uma intervenção biomédica para transformar o paradigma sobre a perda de peso e a manutenção da perda de peso, oferecendo uma nova forma de tratar a obesidade".

Reduzir 1% por semana

Este projeto está a ser desenvolvido em parceria com a Universidade Tufts e a Escola de Medicina de Harvard, ambas nos Estados Unidos da América, com os voluntários norte-americanos a apresentar uma redução de 1% do peso por cada semana. Mas, apesar de nesta fase experimental o tratamento se revelar eficaz, os investigadores alertam que este método deve ser aplicado a quem já tentou por outras vias perder peso e não conseguiu obter os resultados pretendido, não deve ser usado como primeira opção sem antes tentar mudar os hábitos alimentares de forma espontânea.

Viviane Fornari, voluntária da pesquisa, refere que este método é totalmente indolor e espera perder 15 quilos com a mudança de hábitos alimentares, afirma ao jornal Globo.

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