Conferência de imprensa das CGTP foi realizada na tarde desta sexta-feira, 11 de setembro, em Lisboa.
Conferência de imprensa das CGTP foi realizada na tarde desta sexta-feira, 11 de setembro, em Lisboa. FOTO: José Sena Goulão / Lusa

CGTP convoca manifestação nacional para 17 de outubro e ameaça parar o país

Com um mês de ações nas empresas e plenários, a central prepara-se para paralisar as principais cidades num sábado de outubro, exigindo um aumento salarial geral de 15% e um salário mínimo de 1100€
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A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN) prepara-se para agitar e paralisar as principais cidades do país com uma forte vaga de contestação que decorrerá ao longo de várias semanas e culminará a 17 de outubro, com uma manifestação nacional, avançou a Lusa, na sequência de uma conferência de imprensa, em que foi apresentada a "Política Reivindicativa" da central sindical para 2027. A ofensiva coloca também no centro das exigências a subida do salário mínimo nacional para 1100 euros já no próximo ano.

"Nesta perspetiva de construção da luta", a CGTP vai avançar "com um mês de ação, de mobilização e luta", entre 17 de setembro e 17 de outubro, tendo em vista "discutir com os trabalhadores a ação reivindicativa", anunciou Tiago Oliveira em conferência de imprensa, onde foi apresentada a "Política Reivindicativa" da central sindical para 2027.

Nestes dias serão realizadas diversas ações nas empresas e locais de trabalho, nomeadamente plenários e concentrações à portas das empresas, sendo que o objetivo é " envolver os trabalhadores na discussão política", segundo explicou.

No final deste período, em 17 de outubro, vai ser realizada "uma grande manifestação nacional" em Lisboa, Porto e Coimbra para que os trabalhadores possam "trazer para a rua a sua contestação", acrescentou, sinalizando que espera a adesão de "milhares e milhares" de trabalhadores.

Central sindical quer salário mínimo nacional nos 1100€ já em 2027

Da "Política Reivindicativa" da central sindical para 2027 constam exigências fortes, como a reclamação de um salário mínimo nacional de 1.100 euros já no próximo ano e um aumento salarial transversal de, pelo menos 15%, num mínimo de 150 euros.

"Os trabalhadores e os reformados precisam de salários e de pensões que permitam viver dignamente durante todo o ano e não num só período do ano", afirmou o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN), em conferência de imprensa, onde foi apresentada a "Política Reivindicativa" da central sindical para 2027.

O líder sindical sinalizou que o valor atualmente previsto no acordo tripartido para 2027 fica muito aquém das reais necessidades das famílias para fazer face a todas as despesas, considerando que a fasquia proposta pela central é perfeitamente possível de alcançar.

Deste modo, a central sindical "vai continuar a insistir" num aumento dos salários de, pelo menos, 15%, com um mínimo de 150 euros, para todos os trabalhadores e exigir que o salário mínimo aumente dos atuais 920 euros para 1.100 euros a partir de janeiro de 2027.

Tiago Oliveira sinalizou que o valor previsto no acordo tripartido fica "muito aquém" das reais necessidades dos trabalhadores para fazerem face "a todas as despesas" e considerou que a fasquia proposta pela CGTP "é possível".

"O peso médio dos salários nas empresas ronda os 16% (...) Aquilo que esmaga as empresas não são os salários são muitos outros fatores", disse quando questionado sobre se acredita que as confederações empresariais estão disponíveis para rever em alta a trajetória do salário mínimo nacional.

O acordo tripartido em vigor prevê que, em 2027, a Remuneração Mínima Mensal Garantida (RMMG) suba para 970 euros e, em 2028, para 1.020 euros.

Não obstante, na sequência das eleições legislativas de 18 de maio de 2025, no programa de Governo, o executivo estabeleceu uma nova meta para abarcar toda a legislatura, apontando como objetivo que a retribuição mínima garantida atinja os 1.100 euros brutos por mês em 2029.

O tema deverá ser discutido durante as próximas semanas com os parceiros sociais, sendo que para a próxima semana está já agendada uma reunião da Comissão Permanente da Concertação Social (CPCS).

Questionada na segunda-feira sobre uma eventual revisão em alta do valor previsto para 2027, a ministra do Trabalho afirmou que “o que está em cima da mesa é o cumprimento da meta” prevista no acordo e sinalizou que “teria que haver um novo acordo para que essa meta fosse alterada”.

O Governo “não o alterará unilateralmente”, sublinhou.

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