Cerca de 80 pessoas recebem formação para acolhimento de refugiados

Uma formação de voluntários no fim de semana passado abrangeu pessoas que se preparam para partir para a Grécia

Cerca de 80 pessoas tiveram formação, entre jovens voluntários e organizações, para mais bem acolherem e integrarem os refugiados, mas também ajudarem a destruir preconceitos, numa parceria entre a Plataforma de Apoio aos Refugiados e a agência Erasmus+.

Em declarações à agência Lusa, o diretor da Erasmus+ Juventude em Ação, Pedro Couto Soares, explicou que a iniciativa partiu desta agência governamental, que, sendo um organismo que gere um programa com valores europeus, não podia ficar indiferente à atual crise de refugiados.

Daí surgiu a vontade em desafiar a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) para definir e concretizar uma formação que, não só preparasse as organizações que vão acolher refugiados em Portugal, mas também apostasse em jovens voluntários para trabalharem a opinião pública sobre esta matéria, ajudando a desconstruir mitos, receios, preconceitos.

"Tudo está muito pensado pelo Governo português e há planos para tudo, mas muitas vezes são desconhecidos das organizações e quisemos tornar tudo mais conhecido, ao mesmo tempo que juntamos componente intercultural, valores europeus, cidadania, participação, etc", explicou o responsável.

A formação dos voluntários decorreu no fim de semana passado e abrangeu 40 pessoas, 12 das quais que se preparam para partir para a Grécia, integrados no programa PAR Linha da Frente. O coordenador da PAR, Rui Marques, explicou à Lusa que o objetivo desta formação foi, não só preparar os voluntários que vão para a Grécia, mas também formar formadores para ações de sensibilização da opinião pública.

"Cada vez mais somos solicitados a estar presentes em diferentes instituições, escolas, centros sociais, juntas de freguesia, empresas, para sessões de informação sobre a questão dos refugiados", adiantou Rui Marques, acrescentando que estes formadores estarão espalhados de norte a sul do país.

Pedro Couto Soares frisou que estes formadores terão como missão combater estereótipos, medos e preconceitos da opinião pública, sobretudo dos jovens, sobre as questões relativas aos refugiados.

Posteriormente, entre segunda-feira e quarta-feira, decorreu uma segunda formação, esta para os elementos das instituições e organizações que estão a acolher os refugiados em Portugal, tendo participado igualmente 40 pessoas. "Foi uma oportunidade para que as instituições conhecessem mais a fundo todo o projeto PAR Famílias e como devem articular o acolhimento de refugiados, nas várias dimensões, desde saúde à educação, trabalho, aprendizagem do português ou integração", adiantou Rui Marques.

Para o coordenador da PAR, esta formação serviu para que as instituições estejam mais bem preparadas para receber os refugiados recolocados em Portugal, ao mesmo tempo que lhes deu energia e motivação para não desistirem, já que das 108 entidades que se disponibilizaram para receber uma família, 95 continuam a aguardar.

O diretor da agência Erasmus+ admitiu que estas formações foram "um momento fora da caixa", justificadas com o facto de a situação atual ser excecional. Segundo Pedro Couto Soares, o objetivo era perceber como iria correr, mas o sucesso foi de tal ordem que ficaram todos com vontade de repetir a experiência e organizar mais formações como estas.

Também Rui Marques quer ver a experiência repetida, não só porque nem todas as instituições conseguiram participar, mas também porque gostaria que houvesse uma segunda fase desta formação.

Segundo o coordenador da PAR, Portugal recebeu, entre dezembro e maio, 247 refugiados ao abrigo do programa de recolocação, o que torna o país no terceiro país da Europa a receber mais refugiados em termos absolutos, atrás da França e da Finlândia.

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