Centro Botton-Champalimaud abriu hoje para combater cancro do pâncreas

Trata-se de uma estrutura única a nível mundial e resulta da união da Fundação Champalimaud e do casal espanhol Maurizio e Charlotte Botton, que contribuiu com 50 milhões de euros. O cancro do pâncreas é já a quarta causa de morte por cancro na Europa.

O novo Centro do Cancro do Pâncreas Botton-Champalimaud é inaugurado esta segunda-feira em Lisboa, numa estrutura única a nível mundial que ambiciona mudar a forma de combater um dos tumores mais letais da atualidade.

O projeto resulta da união da Fundação Champalimaud e do casal espanhol Maurizio e Charlotte Botton (família proprietária da marca Danone), que contribuiu com 50 milhões de euros. Perante o acentuado crescimento a nível mundial deste tipo de cancro, a unidade hoje apresentada aposta em simultâneo na investigação e na intervenção clínica.

"O cancro do pâncreas é um dos cancros mais ascendentes (...) cada vez há maior número de casos, é dos mais letais e, portanto, dos mais difíceis e aquele onde ainda é preciso descobrir muito para podermos ter resultados satisfatórios na cura e na sobrevida", disse à Lusa o vice-presidente da Fundação Champalimaud, João Silveira Botelho, notando que o progresso no tratamento desta doença nos últimos 50 anos "foi marginal".

Com capacidade para operar 10 doentes por dia

Para responder ao desafio, o centro tem três blocos operatórios com tecnologia avançada e capacidade para 10 doentes por dia, 25 quartos de internamento e 15 de cuidados intensivos, 200 investigadores, parcerias internacionais na área da imunoterapia e ainda dois laboratórios: um de ciência básica e outro de manipulação celular.

De acordo com o responsável da Fundação Champalimaud, o centro quer "contribuir de uma forma decisiva para inverter este estado de coisas" e reiterou a preocupação de "fazer um triângulo entre a investigação, a clínica e o doente" na nova unidade.

"O doente é uma peça essencial neste centro, queremos que seja um parceiro nisto. Por isso, tivemos também aqui uma preocupação, quer do ponto de vista da arquitetura, quer do ponto de vista da comodidade. Queremos que ele tenha a resistência, até do ponto de vista psicológico, para lidar com uma doença destas", explicou.

Centro pretende "investir especialmente no desenvolvimento de ensaios clínicos com novos medicamentos de imunoterapia e em vacinas antitumorais personalizadas"

O centro dará atenção especial ao estudo do perfil imunológico dos tumores do pâncreas e ao desenvolvimento de tratamentos inovadores nesta área e pretende, segundo a fundação, "investir especialmente no desenvolvimento de ensaios clínicos com novos medicamentos de imunoterapia e em vacinas antitumorais personalizadas", destacando-se ao nível dos ensaios a parceria com o National Institute of Health (NIH), dos EUA.

O cancro do pâncreas é já a quarta causa de morte por cancro na Europa e estima-se que para as próximas duas décadas o número de novos casos possa aumentar em mais de 70%.

Em Portugal representa 2,8% de todos os tipos de cancro, registando-se anualmente cerca de 1700 novos casos.

A cerimónia de inauguração do novo centro médico na Fundação Champalimaud decorre esta tarde e conta com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e dos reis de Espanha, Felipe VI e Letizia Ortiz.

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