A Câmara de Cascais vai apoiar financeiramente pescadores impedidos de trabalhar devido às recentes tempestades, comparticipando ainda o combustível de embarcações, e vai isentá-los de taxas das boxes de aprestos, o que os beneficiários consideram uma “lufada de ar fresco”.Segundo o presidente da autarquia, Nuno Piteira Lopes (PSD), o executivo, no distrito de Lisboa, aprovou “um grande pacote de apoio” aos prejuízos provocados pelas depressões que assolaram o país, incluindo “para os pescadores do concelho de Cascais”, que “atravessaram uma fase particularmente complicada” em resultado das condições meteorológicas adversas.Em declarações à Lusa, o autarca acrescentou que as tempestades “impediram durante muitas semanas os pescadores de poderem ir à pesca, impediram a saída regular das embarcações”, afetando muitas famílias devido à quebra de rendimentos.Nesse sentido, a câmara aprovou um apoio “equivalente a um salário mínimo nacional por cada pescador registado no concelho” e também “a atribuição do apoio complementar por cada embarcação para o equivalente ao combustível de um mês de faina”.“Aprovámos ainda a isenção das taxas que os pescadores pagam pela utilização de espaços no concelho de Cascais, quer dos aprestos, quer do armazém da Terceira Circular, no primeiro trimestre de 2026”, acrescentou. Segundo uma proposta aprovada por unanimidade na anterior reunião do executivo, foi deliberado atribuir um apoio financeiro global até 86.570 euros destinado a “medidas excecionais e temporárias” para a comunidade piscatória.No documento, subscrito por Piteira Lopes e pelo vereador João Ruivo (PS), explica-se que a impossibilidade da atividade profissional se traduziu “numa quebra significativa – e em muitos casos total – dos rendimentos, afetando diretamente a subsistência dos pescadores e dos seus agregados familiares”.Na sequência de uma reunião com pescadores, foi definido um valor correspondente ao salário mínimo nacional (920 euros) por “não poderem operar” e apoio ao combustível “com valores fixos diferenciados por tipologia de embarcação (local e costeira)”, dependente da “verificação dos critérios de elegibilidade e da validação das listagens de tripulantes ativos” certificados pela capitania.O presidente da autarquia estimou em “meio milhão de euros” os apoios “todos somados”, num universo de 51 pescadores e 31 embarcações.“Com estas intempéries todas que houve agora tivemos aqui muitos barcos parados, muita gente sem trabalhar, há aqui muitas famílias que dependem na totalidade dos pais, dos maridos, das pessoas que trabalham no mar e, portanto, tem sido um período complicado”, admitiu João Telles Ferreira, consultor da Associação de Armadores e Pescadores de Cascais.O também armador de dois barcos e mestre num deles salientou que “a câmara desde a primeira hora, através do seu presidente, teve o cuidado” de tentar perceber a situação dos pescadores e disponibilizou-se para ajudar na “situação difícil que a classe está a atravessar”.“É uma grande lufada de ar fresco, nesta altura em que nós nos encontramos. Portanto, qualquer ajuda que nos chegue é sempre muito bem-vinda”, considerou João Ferreira, notando que o apoio “não é o suficiente, mas também não” caberá só à câmara apoiar os pescadores.Em relação aos apoios do Governo, reconheceu, há quem já se tenha candidatado ou ainda esteja a avaliar, e quem não apresentará candidatura, “porque, como costume, a burocracia é sempre muita”.Quanto aos danos, “são imensos”, mas muitos armadores ainda estão a apurar a dimensão, pois ainda não conseguiram verificar o material todo, e perderam “muito material no mar” e “algumas embarcações pequenas” em Cascais.Para o também membro da Associação dos Profissionais de Pesca de Cascais, haverá quem possa eventualmente pensar em abandonar a faina, mas a ideia passa por “ajudar para que as pessoas não desistam” e “continuar o “trabalho que tem sido durante estes anos todos”.“Estamos habituados a ultrapassar este tipo de dificuldades, não destas intempéries que houve agora, porque isto realmente foi um caso anormal, mas estamos habituados às dificuldades e, portanto, o caminho será sempre levantar a cabeça e seguir em frente”, rematou.