A lista atualizada exclui o Brasil que, em 2024, podia exportar animais e carne para a UE, entre outros produtos."A Comissão confirma que o Brasil não está incluído na lista, o que significa que deixará de poder exportar para a UE mercadorias (tanto animais vivos destinados à produção de alimentos como produtos derivados), tais como bovinos, equinos, aves de capoeira, ovos, aquicultura, mel e invólucros, com efeitos a partir de 3 de setembro", disse à Lusa a porta-voz da Comissão Europeia com a pasta da Saúde, Eva Hrncirova.Para ser incluído na lista de países terceiros autorizados a exportar para a UE, "o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos da União relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados", referiu a porta-voz."Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações", esclareceu, acrescentando que o executivo comunitário tem colaborado estreitamente com as autoridades brasileiras sobre esta questão.Eva Hrncirova disse ainda que o bloco proíbe o uso de antimicrobianos para promover o crescimento ou aumentar o rendimento na pecuária, bem como a utilização em animais de antibióticos e outros medicamentos reservados para infeções humanas.A lista revista e hoje adotada inclui agora 21 novos países, tendo outros cinco sido autorizados a exportar mercadorias adicionais para a UE, acrescentou a porta-voz, para além de excluir o Brasil.Os restantes países do bloco Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) que assinaram um acordo comercial com a UE permanecem nas lista de autorizados.As regras da UE integram a agenda "Uma Só Saúde" (‘One Health’) da UE para combater a resistência antimicrobiana e aplicam-se aos produtores da UE desde 2022.O rol é regularmente atualizado para incluir novos países conformes ou para remover qualquer país ou mercadoria não conforme.Diplomacia brasileira queixa-se de falta de diálogoA diplomacia brasileira classificou como “muito negativa” a exclusão do Brasil da lista europeia de exportadores autorizados de animais e produtos de origem animal e afirmou que faltou um diálogo “mais fluido” por parte da União Europeia (UE).A declaração foi feita pelo embaixador do Brasil junto da União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, numa conferência com a imprensa internacional, em que declarou ter tomado conhecimento da decisão da UE apenas há poucas horas. O diplomata disse ainda que terá quarta-feira uma reunião com autoridades da União Europeia da área de saúde animal, em que espera receber esclarecimentos sobre a decisão anunciada hoje pelo bloco económico.“Recebo essa notícia como uma surpresa. Eu gostaria que o diálogo com o bloco europeu tivesse sido mais frequente e mais fluído (...) não é uma boa notícia e esperamos reverter isso”, lamentou. Segundo o embaixador, a questão não estaria diretamente relacionada ao uso de antibióticos, mas à necessidade de o Brasil apresentar provas de que possui sistemas de segregação e controlo na produção destinada ao mercado europeu.Questionado sobre se exigências sanitárias europeias poderiam funcionar como barreiras protecionistas contra produtos brasileiros, o diplomata disse que medidas sanitárias e fitossanitárias “são legítimas” e fazem parte do direito de todos os países.“O problema surge quando as exigências não são proporcionais, não são razoáveis. Aí, sim, pode se configurar uma medida protecionista”, argumentou.O embaixador criticou ainda a “narrativa” de agricultores europeus e de alguns países-membros da União Europeia de que o Brasil não cumpre padrões sanitários e ambientais exigidos pelo bloco europeu.Se o Brasil está no mercado europeu e se o país é o maior fornecedor do mercado europeu de produtos agropecuários, “é porque nós cumprimos e temos qualidade”, disse.O diplomata defendeu ainda um diálogo “mais fluido” entre Brasil e União Europeia e afirmou que existe uma visão distorcida sobre a qualidade dos produtos brasileiros e sobre os impactos ambientais da agropecuária nacional.“E, depois, incomoda-me profundamente a narrativa de que os nossos produtos são de qualidade inferior, mas isso é uma coisa do ‘lobby’ agrícola europeu e de quem está associado ao ‘lobby’ agrícola europeu”, completou. Costa e Silva disse também que o Brasil publicou recentemente uma portaria para proibir o uso de antibióticos na produção animal, tema que deverá ser detalhado posteriormente por representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária do país.O secretário do Secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, Luis Ruas, chegou a confirmar presença na conferência de imprensa, mas não compareceu ao evento organizado pela Associação da Imprensa Estrangeira (AIE). A Lusa pediu um posicionamento oficial aos Ministérios da Agricultura e Pecuária e ao Ministério de Relações Exteriores do Brasil, mas até esta publicação não houve retorno.