Cáries caíram 75% entre os jovens na última década

Aplicação de selantes na população escolar através do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral é o grande contributo

A aplicação de selantes, uma espécie de resina protetora, nos dentes molares na altura em que estes irrompem é decisiva para uma grande diminuição do aparecimento de cáries dentárias. É isso que demonstram os estudos e a prática, nomeadamente em Portugal, onde a vulgarização deste tipo de intervenção na população escolar entre os 6 e os 16 anos, na última década e meia, permitiu reduzir em 75% o surgimento de cáries nas crianças e jovens. Na faixa etária dos 12 anos, Portugal atingiu, aliás, em 2006 a meta da OMS para 2020 em termos de saúde oral.

No centro desta mudança esteve - e está - o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral da Direção-Geral de Saúde, que em 2000 passou a incluir tratamentos dentários da população escolar, mediante a contratualização de médicos dentistas. Depois, em 2008, nasceu o cheque-dentista para grávidas e idosos, que no ano seguinte passou a abranger todas as crianças dos 6, 10 e 13 anos das escolas públicas e das IPSS. Em 2010 juntaram-se-lhes todas as outras até aos 14 anos, em 2013, a idade foi estendida aos 16 e, mais recentemente, aos 18.

O terceiro e mais recente estudo nacional de prevalência das doenças orais, publicado no fim do ano passado pela DGS, mostra que se andou muito desde que se iniciaram estas intervenções na população escolar portuguesa.

Um dos principais parâmetros para medir esta evolução é o índice CPOD (de dentes cariados, perdidos e obturados), que para a faixa etária dos 12 anos era, em 2000, de 2,95 dentes e, em 2006, de 1,48. Em 2013, baixou mais ainda, para 1,18.

A par disso, registou-se um aumento da percentagem de jovens com gengivas saudáveis, como mostra a comparação dos dados de estudos anteriores. Em 2006, o valor era, aos 12 anos, de 29% e, aos 15, de 22%. Em 2013, tinham subido para 51,7% aos 12 anos e para 41,8% aos 18.

Menos bons são os indicadores para as idades inferiores a 6 anos, que mostram uma menor evolução positiva da saúde oral daquele grupo da população infantil.

"Mesmo antes de termos os dados deste último estudo já tínhamos essa perceção, o que nos levou há dois anos a introduzir uma nova recomendação no programa para a aplicação dos vernizes de flúor às crianças com menos de 6 anos nos jardins-de-infância", explica Cristina Ferreira, higienista oral e técnica do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral da Direção-Geral de Saúde.

Este verniz de flúor, que à semelhança dos selantes dentários tem um efeito protetor dos dentes, "permitirá ter muito bons resultados a curto prazo", asseguram os técnicos da DGS.

É esse afinal o objetivo destas intervenções precoces com aplicação de selantes dentários. "Sem isso, os níveis de cáries em Portugal seriam quatro vezes superiores ao que são hoje", diz Cristina Ferreira, notando no entanto que o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral "não é só aplicação de selantes", mas abrange uma série de atividades e ações de sensibilização da população escolar e dos seus familiares para a importância dos hábitos alimentares e de higiene para a saúde oral. Uma dessas iniciativas é o projeto SOBE, desenvolvido em parceria com o Plano Nacional de Leitura e a Rede de Bibliotecas Escolares, que através de atividades como concursos de contos e da distribuição de materiais didáticos e de kits de lavagem dos dentes passa justamente essa mensagem. Não por acaso, o SOBE ganhou em 2013 o prémio de melhor projeto da Associação Mundial de Higienistas Orais.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG