Cancelamento de voo da EasyJet de Cabo Verde para o Porto afeta cerca de 130 passageiros
Cerca de 130 pessoas foram afetadas, na terça-feira, 25 de agosto, pelo cancelamento de um voo da EasyJet entre a ilha da Boa Vista, em Cabo Verde, e o Porto, em Portugal, estando algumas ainda à espera de uma solução, segundo passageiros.
"O voo da EasyJet estava previsto para sair no dia 25, por volta das 10:00 locais (12:00 em Lisboa), mas acabou por ser cancelado. Eu viajava acompanhado por mais duas pessoas para o Porto", disse à Lusa Abel Fernandes, de 32 anos, de nacionalidade portuguesa, que estava de férias na Boa Vista.
Segundo o passageiro, alguns viajantes receberam uma mensagem da companhia na noite de segunda-feira, a informar que o voo tinha sido cancelado.
Os passageiros contactaram as respetivas agências de viagens em Portugal, que começaram a procurar alternativas, enquanto na Boa Vista aguardavam informações sobre a situação.
"Alguns colegas conseguiram, com as agências de Portugal, alterar os voos e viajar através de escalas", contou, acrescentando que ele e os dois acompanhantes conseguiram uma alternativa com destino a Londres, onde se encontravam na quarta-feira, com regresso ao Porto previsto para esta quinta-feira.
Segundo o passageiro, os custos dessas alternativas foram suportados pelos próprios passageiros, não tendo recebido confirmação sobre um eventual reembolso.
"Mas isto foi tudo pela agência de Portugal. Da EasyJet, ainda zero respostas", afirmou.
Entretanto, os passageiros foram encaminhados para um hotel na Boa Vista e "alguns continuam na ilha sem uma data oficial para o regresso a Portugal".
"Segundo o que os nossos colegas nos estão a dizer, ainda não é nada oficial, mas há uma perspetiva de um retorno no dia 01 de setembro. Não há nenhuma resposta objetiva", disse.
O passageiro afirmou ainda que alguns dos passageiros que permanecem na Boa Vista estão sem a medicação habitual, incluindo medicamentos para a diabetes e hipertensão.
"Colocaram as pessoas no hotel e até agora nada. Nem resposta, nem recado. Simplesmente deram um alojamento, mas não era isso. As pessoas pretendem ir para as suas casas", afirmou.
Outro passageiro afetado, ouvido pelo Jornal de Notícias, também apontou para cerca de 100 pessoas afetadas pelo cancelamento e afirmou que continuava sem receber informação da EasyJet sobre o reencaminhamento.
Eduardo Fernandes, que estava de férias na Boa Vista com a mulher, disse ao jornal que a agência de viagens não tinha recebido qualquer resposta da companhia e que os passageiros permaneciam alojados num dos hotéis da ilha.
Easyjet promete reembolsar passageiros
Em esclarecimentos à Lusa, a EasyJet explicou que o voo 6872, da Boa Vista para o Porto não pôde ser realizado porque "a aeronave prevista para operar essa rota ficou retida, no dia anterior, em Basileia, na Suíça, devido a restrições do controlo de tráfego aéreo, na sequência de condições meteorológicas adversas na Europa Central".
A companhia disse que aos passageiros foi oferecida a possibilidade de serem transferidos gratuitamente para o voo seguinte disponível ou de receberem um reembolso integral.
Os passageiros que tenham tomado medidas alternativas por conta própria, acrescentou, serão reembolsados por "quaisquer despesas razoáveis".
Afirmou ainda que os passageiros foram "prontamente informados sobre as opções disponíveis" e que poderiam organizar as suas próprias alternativas, sendo posteriormente reembolsados pelas despesas consideradas razoáveis.
Quanto ao número de passageiros afetados, a companhia disse à Lusa que não consegue precisar quantos permanecem na Boa Vista, uma vez que alguns poderão já ter recorrido a outras companhias aéreas para sair da ilha.
A EasyJet iniciou a operação em Cabo Verde em outubro de 2024, com ligações entre Lisboa e o Porto e a ilha do Sal, tendo alargado a operação, em outubro de 2025, à Boa Vista, Praia e São Vicente.
O aumento das ligações aéreas regulares com a Europa tem contribuído para o crescimento do turismo em Cabo Verde, que recebeu 1,2 milhões de hóspedes em 2025, mais 6% do que no ano anterior.
O turismo e atividades relacionadas são um dos principais motores da economia cabo-verdiana, representando mais de 70% das exportações do país.

