O canal de televisão Conta Lá, que transmite no cabo desde 2025, vai recorrer à suspensão temporária dos contratos de trabalho ou redução de horário (lay-off), numa restruturação para reduzir custos, em contexto de salários em atraso.Esta informação foi transmitida aos trabalhadores pelo presidente executivo, Sérgio Figueiredo, num e-mail enviado na sexta-feira, 26 de junho, a que a Lusa teve hoje acesso.“Em setembro, com o dia 15 como referência, o projeto entra numa nova fase, conseguindo meios que nunca teve para acelerar investimentos e cumprir o Conta Lá tal qual ele foi pensado. […] A questão é ‘como sobreviver até lá’? O que tem de ser feito para que o colapso não seja drástico e definitivo”, refere a missiva.A comissão executiva adiantou que a solução que pretende implementar “imediatamente” é um processo de lay-off, por entender que “protege mais as pessoas e a empresa”, evita a “bomba atómica” do despedimento coletivo, mantém os trabalhadores vinculados e é reversível a qualquer momento.“Reduzir a escala de custos é vital. Temos de voltar a ser menos, para voltarmos a ser mais”, salientou.O também ex-diretor de informação da TVI apontou que o atraso no pagamento dos salários de maio se deve à falta de “fundos suficientes para pagar a todos”, tendo sido possível regularizar a situação a cerca de 40 trabalhadores, “mas a maioria continua sem receber o que lhe é devido”.“Como não se comete segunda vez o mesmo erro (e apesar de novamente nos terem assegurado o pagamento até dia 7 de uma verba que permite liquidar todos os vencimentos e prestações de serviço do mês de maio), a única data possível de ser mencionada para o acerto das nossas contas é 31 de julho”, adiantou Sérgio Figueiredo, garantindo que a administração continua a “fazer de tudo para antecipar” essa data.A empresa assegurou que vai cooperar com os trabalhadores que, em caso extremo de dificuldades financeiras, se queiram desvincular rapidamente para procurar uma alternativa de trabalho que garanta fonte de rendimento imediato e adiantou que nas próximas 12 semanas é “crítico” encontrar uma grelha de programas que, “de forma inteligente e a baixo custo, crie a sensação de que há sempre algo de novo a cada dia”.“Tenho a noção de que uma empresa que não está a conseguir pagar às suas pessoas não pode exigir-lhes que trabalhem normalmente, sobretudo quando não existe uma certeza absoluta relativamente à data em que o primeiro pagamento acontecerá. O que vos estou a dizer é que estão isentos de cumprir as obrigações que o contrato de trabalho vos vincula, a partir de segunda-feira”, esclareceu o presidente executivo.O ‘lay-off’ consiste na redução temporária do horário de trabalho ou na suspensão dos contratos por iniciativa da empresa, em que o Estado assegura, através da Segurança Social, entre 60% e 70%) da remuneração dos trabalhadores afetados.O Conta Lá é um canal de televisão por cabo, com uma programação direcionada para as regiões e jornalismo de proximidade. A Lusa tentou contactar Sérgio Figueiredo, mas ainda não foi possível até ao momento..Trabalhadores em 'lay-off' caem 54,3% em janeiro para mais de 5.600 .Livre, BE e PCP contra regime de lay-off simplificado para empresas e trabalhadores afetados pelas tempestades