Caminhar como Neil Armstrong na Lua, eis o que a realidade virtual nos pode dar

Alunos do curso de Animação e Videojogos da Escola de Tecnologias, Inovação e Criação viveram a experiência de realidade virtual em que puderam descobrir, quase de forma física, como decorreu a missão Apollo 11

A 20 de julho de 1969, Neil Armstrong tornou-se o primeiro ser humano a pisar a Lua. Em dezembro de 2017, foi a vez da turma do 1.º ano do Curso de Animação e Videojogos da ETIC (Escola de Tecnologias, Inovação e Criação), em Lisboa, experienciar o que se passou na mítica missão Apollo 11.

Através do jogo Apollo 11 VR, e utilizando o sistema de realidade virtual (VR) da Sony, o PlayStation VR, os alunos tiveram uma aula diferente, que serviu como "desculpa para falar dos potenciais e possíveis desenvolvimentos de protótipos ou projetos para a plataforma" naquela escola, como explicou ao DN o professor Miguel Rafael. Isso e o gozo da experiência, claro.

Definindo-se como uma pessoa com ideias um pouco "utópicas" e com um claro sentido de esperança no que toca à tecnologia, e neste caso em particular à realidade virtual, foi possível retirar da conversa que os potenciais da plataforma VR não são apenas aplicáveis aos videojogos. Ainda que, como explica, são os criadores dos mesmos que detêm o conhecimento para criar outro tipo de experiências, mais palpáveis, em que a pessoa se submete a uma espécie de imersão. Num acontecimento histórico, por exemplo.

O feedback dos alunos foi positivo - "ficaram maravilhados com o potencial" - porque "quem nunca experimentou não tem noção de que é completamente imersivo".

"É estranho ter pela primeira vez uma sensação quase física, tátil e de escala", acrescenta.

Mas explica ainda, tendo em conta a "demonstração poderosa" que foi proporcionada aos seus alunos, que poderá ser possível "recriar eventos relevantes e que permitiria se calhar um outro olhar sobre a história de uma forma presencial".

"Porque não experimentar como seriam as grandes guerras nas trincheiras, algo que é inimaginável. Ouvimos falar, mas não existem registos que consideremos muito verosímeis. São fotos antigas, não existe nada assim. Agora imaginem sermos transportados para lá. Eles [alunos] ficaram fascinados tanto com as possibilidades como com a experiência em si. Porque é uma experiência", frisa.

"Imagine ir a uma sala de cinema. Se eu vou ver um filme de guerra ao cinema, aquilo é uma experiencia visceral. Agora imagine o que é ter isto em casa. E mais do que no cinema, em vez de ser só uma tela gigante que me ocupa quase todo o campo de visão, é literalmente todo o campo de visão. É para trás e para a frente, eu oiço pessoas a falar atrás de mim, eu olho para o céu. E mesmo que ainda que não tenha a fidelidade do cinema, só o facto de estarmos lá de forma simulada é muito, muito forte", acrescenta, de forma visivelmente entusiasmada.

Mas, com a tecnologia sempre na ordem do dia, quer pelas suas potencialidades quer pelos medos que acarreta devido ao seu poder, existe algum contratempo nestas possibilidades todas da realidade virtual que, além de jogável, pode ser pedagógica? E os problemas são para pensar já ou ao longo do caminho? Em relação a estas questões, Miguel Rafael tem uma visão muito clara.

"Eu sou utópico quando falo de tecnologias, mas não vejo grandes desvantagens. De repente temos aqui uma ferramenta que nos permite estar presentes e sentir que estamos presentes, seja em monumentos, em experiências históricas ou até numa sala de aula virtual, em que comunicamos com as pessoas e elas estão ali. Quem já teve aquelas disciplinas difíceis na escola, tipo Geometria Descritiva? E se isso já não for um problema, se eu visualizar em 3D porque tenho os óculos?", questiona, mas em tom de resposta.

Os problemas resolvem-se

"As notícias, quantas vezes é que nós vemos notícias e sentimo-nos tão desligados daquela realidade. Naquelas coisas em que já estamos um bocadinho insensíveis, como um cenário de guerra, em que já custa sequer sentir alguma empatia, mas mergulhar lá e viver, e ver que aquilo realmente não é uma casa num postal", afirma.

Para Miguel Rafael, só iremos conhecer os possíveis perigos da realidade virtual "quando lá chegarmos" e, assim, mais vale ir em frente e resolver os problemas à medida que aparecem.

"Acho que o alerta é a melhor palavra. Estar sensível para as mudanças que vai ter no nosso quotidiano, para as boas e para as más. E os reguladores temos de ser nós próprios. Percebemos onde estão os nossos limites e onde é que está o salutar e o não salutar, por isso não me preocupa nada. Eu sou muito otimista e vejo as pessoas a experimentar, a gostar e a interagir. O resto vamos vendo", finaliza.

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