Bruno Fernandes, o craque que sabe como dispensar a calculadora

Mestria do internacional português conduziu a Seleção aos 'oitavos' do Mundial, numa semana em que o futebol nacional perdeu uma das suas principais referências. No governo, António Costa promoveu uma minirremodelação e o PSD não perdeu tempo em falar em "caos" e "erosão".

Sábado, 26 de novembro

Fernando Gomes, o eterno "Bibota"

O futebol português e, em particular, o FC Porto perderam no sábado uma das suas maiores referências. Fernando Gomes, o conhecido "Bibota" - alcunha que ganhou por ter sido, duas vezes, o melhor marcador dos campeonatos europeus (1982/83 e 1984/85) -, morreu aos 66 anos, tendo deixado o seu nome gravado na história dos dragões não só devido aos títulos que conquistou com a camisola azul e branca mas principalmente por conservar, ainda hoje, o rótulo de melhor finalizador de sempre dos portistas, com 355 golos repartidos pelas duas passagens pelo clube, no qual assumia atualmente funções de dirigente.

Pinto da Costa, presidente do FC Porto, emocionou-se ao recordar o eterno dono da camisola 9 azul e branca: "Deixou-nos um dos maiores portistas que conheci em toda a minha vida. Desde menino o conheci nas camadas jovens e ele tinha um amor ao FC Porto que ultrapassava o normal". Também a Federação Portuguesa de Futebol recordou o "legado de seriedade, honradez e determinação" do avançado, que somou 47 jogos ao serviço da seleção nacional.

Domingo, 27 de novembro

Solidariedade à prova de inflação

Os Bancos Alimentares contra a Fome recolheram mais de duas mil toneladas de bens durante a campanha realizada no passado fim de semana. Uma quantidade que superou "todas as expectativas mais favoráveis", como reconheceu a presidente da organização, Isabel Jonet, tendo em conta que os portugueses, devido aos efeitos da inflação, têm assistido à escalada dos preços dos produtos alimentares de primeira necessidade. "Os portugueses aderiram de forma entusiasta. É sinal de uma solidariedade que não abranda", frisou. As 2086 toneladas de alimentos recolhidas representam um aumento de 24% em relação à campanha realizada em igual período de 2021.

Numa visita às instalações do BA em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa também destacou um número que merece atenção e uma resposta estrutural que não dependa apenas da solidariedade nacional: os mais de 400 mil cidadãos que estão em pobreza alimentar ou em risco de assim ficar. "Esta comida é para amanhã ou depois de amanhã ou para daqui a oito, quinze dias, não vai esperar pelos números dos bancos centrais, pelas estatísticas que podem chegar só daqui a umas semanas ou daqui a uns meses", lembrou o Presidente da República.

Segunda-feira, 28 de novembro

Bruno. Um talento que dispensa a calculadora

Desta feita, a seleção nacional não precisou de estar agarrada à máquina calculadora até ao último momento e garantiu, logo à segunda jornada da fase de grupos do Mundial, o apuramento para os oitavos-de-final da prova. A vitória, por 2-0, frente ao Uruguai teve sabor a vingança - afinal, foram os sul-americanos que eliminaram Portugal no Mundial de 2018 - e um jogador em destaque: Bruno Fernandes.

O médio do Manchester United fez os dois golos do encontro e solidificou a sua crescente influência na equipa, beneficiando também, como explicou o DN, por jogar mais perto da baliza adversária, logo em melhor situação para finalizar (o remate forte e colocado é uma das suas características, presente desde tenra idade) ou fazer o último passe (foram dele as assistências para os golos de João Félix e Rafael Leão frente ao Gana). Ontem, contra a Coreia do Sul, Bruno Fernandes foi poupado por Fernando Santos e Portugal perdeu. Coincidência? Não parece ser o caso.

Terça-feira, 29 de novembro

Remodelação. Prova de força? Ou de "caos"?

A minirremodelação governamental operada por António Costa, com a entrada de quatro novos secretários de Estado e a troca de pastas de mais dois, teve, pelo menos, um triplo efeito. Ao escolher Mendonça Mendes para seu braço direito (enquanto secretário de Estado Adjunto), Costa chama para junto de si não só um influente dirigente e conhecedor do aparelho socialista como também alguém que está por dentro da atual realidade financeira do país (vem da pasta dos Assuntos Fiscais). Numa altura de grande incerteza económica a nível mundial, o PM protege-se para o que aí vem e quando a crise já está bem presente no dia-a-dia dos portugueses e tomou conta do debate político (essa realidade não vai mudar tão cedo).

Noutra frente, ficou claro, com a dispensa de João Neves (Economia) e Rita Marques (Turismo), que o ministro Costa Silva venceu o braço-de-ferro que se abriu na sua própria equipa a propósito da descida do IRC. A desautorização pública dos dois secretários de Estado (herdados do anterior ministro, Pedro Siza Vieira) ao governante não passou em claro no PS e António Costa escolheu o lado a fortalecer - o do gestor, que chamou, em 2020, para desenhar a estratégia económica do país para a próxima década. Por outro lado, se o PM resolveu com estas mexidas duas crises internas, externamente o sinal que passa é de instabilidade - "não se pode ter sol na eira e chuva no nabal", já diz o conhecido ditado popular português. O PSD, claro, não perdeu tempo e cavalgou a oportunidade, falando em "caos" e "erosão" num executivo que tem apenas oito meses e já soma "oito saídas", marcando pontos junto do eleitorado mais conservador.

Quarta-feira, 30 de novembro

Turismo sempre a subir e com desafios por resolver

Menos de 24 horas depois de ser conhecida a substituição de Rita Marques por Nuno Fazenda na Secretaria de Estado do Turismo, o INE divulgou os números mais recentes da atividade turística em Portugal. E, mais uma vez, fica clara a vitalidade e importância do setor para o país. No mês de outubro, foram registados 2,6 milhões de hóspedes e 6,8 milhões de dormidas, o que corresponde a aumentos homólogos de 23,4% e 23,5%, com destaque para o número crescente de turistas norte-americanos (mais de 200 mil). A ponta final do ano também promete ser positiva para este motor económico português.

Segundo o Dinheiro Vivo, mesmo perante o aumento dos preços, já não há vagas em unidades da Serra da Estrela, da Madeira, do Algarve e do Douro para o período de Natal e Ano Novo, sobretudo à conta de clientes nacionais. Ainda assim, sem novo aeroporto e com dificuldades crescentes no recrutamento de mão-de-obra, o que não falta são desafios para o setor e para o novo titular da pasta.

Quinta-feira, 1 de dezembro

1.º de Dezembro. Ciganos, orgulho e alertas

Nas comemorações do Dia da Restauração da Independência de 1640 houve discursos para todos os gostos. O Presidente da República, "ao lembrar tantos portugueses, de tantas origens, que se envolveram no movimento revolucionário", fez questão de recordar os ciganos "que deram a vida pela nossa independência", lamentando a "discriminação" de que a comunidade - especialmente visada desde que o Chega ganhou protagonismo e peso político - "tem sido alvo no nosso país". Já

António Costa falou numa data que celebra a "soberania" e a "força da bandeira nacional", destacando o "orgulho" por ter reposto o feriado do 1.º de Dezembro, em 2016, depois do ter sido suspenso pelo governo de Passos Coelho em 2012, quando o país estava sob intervenção da troika. Helena Carreiras, ministra da Defesa, afirmou que, atualmente, perante "agressões aos pilares da comunidade internacional", a independência nacional tem de se fortalecer "na afirmação dos valores da democracia, do Estado de Direito e dos direitos humanos, na valorização da diversidade e do pluralismo". E, no discurso das comemorações oficiais, o autarca de Lisboa, Carlos Moedas, sublinhou um desafio que se coloca à classe política: "Tem de dar o exemplo de devoção pelo bem comum e de capacidade de liderança. Não se pode fechar sobre si mesma ou crer-se imune à crítica. Tem de ouvir mesmo aqueles com os quais não concorda".

Sexta-feira, 2 de dezembro

Kiev admite até 13 mil soldados mortos

Depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, ter defendido a criação de um "tribunal especializado" para julgar a Rússia pelos "crimes horríveis praticados na Ucrânia" e falado em 100 mil soldados ucranianos mortos durante a guerra (horas mais tarde, Bruxelas admitiria que se tinha equivocado), Kiev divulgou que, de acordo com as "estimativas oficiais do Estado-Maior do Exército", o número de combatentes que perderam a vida será entre 10 mil e 13 mil. Em setembro, Moscovo admitira a morte de 6 mil soldados, mas sem organismos independentes que validem os dados subsistem muitas dúvidas sobre a verdadeira dimensão das baixas militares nos dois países.

A convicção geral é que tanto Rússia como Ucrânia estejam a revelar números muito inferiores à realidade para não desmoralizar as suas tropas. No que diz respeito a civis, as Nações Unidas têm atualizado o número de baixas em território ucraniano. O último balanço apontava para 6655 pessoas, mas a ONU acredita que serão bastante mais, uma vez que apenas divulga as mortes que se consegue efetivamente confirmar.

pedro.sequeira@dn.pt

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG