Bombeiro recebeu o maior transplante de cara alguma vez feito

Recebeu cara, couro cabeludo, orelhas, nariz, lábios e pálpebras

Um bombeiro do Mississippi, Estados Unidos, que queimou o rosto quando combatia um incêndio recebeu o transplante de cara mais extenso efetuado até hoje. Patrick Hardison, 41 anos, passou em agosto por uma cirurgia de 26 horas e agora, 96 dias depois, a equipa médica do New York University Langone Medical Center faz um balanço positivo da cirurgia.

Pai de cinco filhos, Patrick Hardison está a recuperar bem mas precisará de tomar medicamentos para o resto da vida de modo a evitar que o seu organismo rejeite o transplante.

O bombeiro recebeu uma cara nova, couro cabeludo, orelhas, lábios, nariz e pálpebras. O dador foi David Rodebaugh, um jovem de 26 anos que morreu na sequência de um acidente de bicicleta, a cuja família Patrick Hardison agradece.

"Deram-me uma nova cara. Deram-me uma nova vida", disse, citado pela BBC. "Espero que vejam em mim a bondade da decisão deles", acrescenta a Reuters.

Agora, o bombeiro já consegue pestanejar e até dormir com os olhos fechados, passos essenciais para poupar os seus olhos azuis da cegueira, algo que antes parecia inevitável, segundo o médico Eduardo Rodriguez, que liderou a equipa médica.

Duas equipas, que treinaram durante um ano, trabalharam na cirurgia, uma a preparar o dador e outra a trabalhar no recetor, num total de 150 pessoas. Os custos da operação, na ordem de um milhão de dólares, serão da responsabilidade do hospital.

Patrick Hardison ficou com queimaduras de terceiro grau em toda a cara e couro cabeludo na sequência de um incêndio em 2001 e esperou um ano por um dador compatível, tanto ao nível do tipo de sangue mas também da pele e cor de cabelo.

O primeiro transplante parcial de cara foi efetuado em 2005 a uma mulher francesa, Isabelle Dinoire, que ficou gravemente ferida quando foi atacada por um cão. Desde então mais de 20 pessoas receberam transplantes totais ou parciais da cara. O primeiro transplante total aconteceu em 2010. Um agricultor espanhol, identificado apenas como Oscar, só não recebeu orelhas e couro cabeludo.

"Nunca antes se tinha transplantado tanta pele", garantiu agora o médico Eduardo Rodriguez.

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