A polémica orca do SeaWorld está a morrer

O parque aquático de Orlando revelou que o animal enfrenta problemas de saúde crónicos

A orca Tilikum, o maior mamífero marítimo a viver num parque aquático, está a morrer. O SeaWorld, em Orlando, Estados Unidos, revelou que a saúde do animal está a começar a deteriorar-se. Tiliikum enfrenta problemas de saúde crónicos que estão a agravar-se à medida que envelhece, diz o parque aquático, explicando que uma infeção nos pulmões está a revelar-se impossível de curar. A baleia terá cerca de 35 anos, estando dentro da média de idades que estes animais sobrevivem em cativeiro. Em estado selvagem vivem entre 50 a 60 anos.

"A bactéria é muito resistente aos tratamentos e ainda não encontrámos uma cura para a sua doença", diz o comunicado do SeaWorld.

O animal esteve em destaque no documentário Blackfish, da CNN, que em 2013 fez um retrato perturbador das baleias em cativeiro naquele parque aquático. Em resposta, o SeaWorld considerou o trabalho falso e propaganda de manipulação emocional.

Tilikum - significa amigo -, que está no parque aquático há 23 anos, foi capturado na costa da Islândia em 1983, tendo sido pai de 21 crias ao longo deste período de cativeiro, dez das quais ainda estão vivas. Esteve envolvido na morte de três pessoas, a última das quais a treinadora Dawn Brancheau, em 2010. Já a primeira aconteceu nos primeiros tempos de cativeiro, quando Tilikum estava no Sealand, um parque em Victoria, na província canadiana da Colúmbia Britânica.

Tilikum estava com mais duas baleias agressivas num espaço pequeno com apenas seis metros de profundidade. A treinadora Keltie Byrne, de 20 anos, escorregou e caiu no tanque, acabando por ser arrastadas pelos animais que a impediram de sair da água. Morreu afogada. O parque canadiano não resistiu à tragédia e fechou um ano depois de vender as baleias ao SeaWorld, segundo recorda o Washington Post.

Em 1999, já no SeaWorld, o corpo de Daniel Dukes, de 27 anos, foi encontrado no dorso de Tilikum. O homem, que recentemente tinha saído da prisão, terá entrado sem autorização no parque durante a noite.

Apesar da agressividade das baleias, um treinador até dizia que Tilikum era fácil de trabalhar, aprendendo rápido. A morte de Dawn Brancheau foi considerada por muitos um ataque de Tilikum, quando a treinadora o alimentava. "Não sabemos ao certo o que o motivou", afirmou um antigo treinador, Jeffrey Ventre. A orca chegou a ser retirada dos espetáculos, mas acabaria por regressar dois anos depois.

O documentário Blackfish originou um movimento para que Tilikum fosse libertado: "Free Tilly", uma alusão ao filme "Free Willy". No entanto, a baleia permaneceu em cativeiro, até porque não havia garantia que conseguisse sobreviver no oceano. Tilikum foi considerado uma vítima do cativeiro, mas também responsável pelas tragédias.

Ainda assim, um treinador emocionou-se ao falar sobre o estado de saúde da orca. "Gostaria de dizer que estou extremamente otimista, mas a doença dele é crónica e progressiva e acabará por provocar a sua morte", salientou Scott Gearheart.

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