As autoridades moçambicanas concluíram que a morte de Pedro Ferraz Correia dos Reis, administrador do banco BCI, em Maputo, resultou de suicídio, contrariando a informação inicialmente avançada pela polícia, que apontava para homicídio. A informação foi avançada pelo portal ECO. O DN sabe que a posição oficial motivou o lançamento de uma petição pública por familiares e amigos próximos, que pedem a intervenção do Estado português para o apuramento da verdade dos factos.De acordo com a reportagem do ECO, o Sernic (Serviço Nacional de Investigação Criminal) de Moçambique indicou esta quarta-feira, 21 de janeiro, que o gestor português terá tirado a própria vida numa unidade hoteleira da capital, recorrendo a instrumentos cortantes e à ingestão de veneno para ratos. Segundo aquela polícia de investigação, a conclusão baseia-se em exames médico-legais, imagens de videovigilância e na reconstituição do percurso feito pela vítima nas horas anteriores à morte.A versão agora apresentada contrasta com a informação divulgada na terça-feira (20), pela Polícia da República de Moçambique, que classificou o caso como homicídio voluntário e indicou que as investigações estavam em curso com base em imagens do hotel onde o corpo foi encontrado.Família contesta e pede ação do Estado PortuguêsPerante a alteração da versão oficial num curto espaço de tempo, foi lançada uma petição pública dirigida ao Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco, e ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, exigindo a intervenção do Estado português no sentido de apurar a verdade dos factos e proteger a família de Pedro Correia dos Reis. O documento já reunia, à hora a que este texto foi escrito, mais de 1000 assinaturas.Na petição, subscrita por familiares e amigos próximos, são consideradas incongruentes as explicações apresentadas pelas autoridades moçambicanas, sendo também questionada a rapidez com que a investigação passou da tese de homicídio para suicídio. O texto defende ainda que pessoas próximas da vítima não acreditam que esta fosse capaz de pôr termo à vida da forma descrita.Contactada pelo DN, um familiar da vítima optou por não prestar declarações, remetendo para a petição pública, que foi lançada por um amigo de infância de Pedro Correia dos Reis e que, segundo indicou, está a ser acompanhada pela família.Veja na íntegra o texto da petição lançada por pessoas próximas da vítimaExcelentíssimos SenhoresPresidente da Assembleia da RepúblicaMinistro dos Negócios EstrangeirosPerante a incongruência das explicações que foram prestadas em relação à morte do cidadão português Pedro Ferraz Correia dos Reis, ocorrida a 19 de janeiro, em Maputo, Moçambique, vimos exigir a intervenção do Estado Português neste caso, com vista a apurar a verdade dos factos e a proteger a família deste nosso concidadão.Atendendo a que:1. A investigação realizada pelas autoridades moçambicanas foi dada como concluída num curto espaço de tempo (horas), passando rapidamente da tese de homicídio a suicídio;2. A explicação de que o Pedro Ferraz Correia dos Reis “saiu do seu local de trabalho para ir a sua casa tirar uma faca da sua cozinha, deslocando-se, depois, a um estabelecimento comercial para adquirir mais duas facas, seguindo depois para outro estabelecimento comprar veneno para os ratos, para em seguida cometer suicídio num hotel”, é descabida e inimaginável;3. Todos aqueles que tiveram o privilégio de privar com o Pedro Ferraz Correia dos Reis não acreditam que ele seria capaz de pôr termo à vida desta forma.Exige-se que o Estado Português intervenha no sentido de apurar a verdade dos factos e honrar a memória do Pedro Ferraz Correia dos Reis. O seu percurso de vida e o respeito pela sua família tornam obrigatória uma intervenção por parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros..Português administrador do banco da CGD em Moçambique assassinado em Maputo