Estátua pd. António Vieira. Associação "Portugueses Primeiro" nega ter intimidado manifestantes

Grupo que se manifestava contra a estátua do padre António Vieira disse ter-se sentido intimidado por membros da associação Portugueses Primeiro

O presidente da associação Portugueses Primeiro confirmou que o grupo impediu a realização de uma manifestação pacífica contra a estátua do Padre António Vieira, no largo Trindade Coelho, esta quinta-feira, mas nega ter intimidado os manifestantes.

Rui Amiguinho disse ao DN que o grupo já planeava celebrar o 5 de Outubro e, quando soube da manifestação do grupo Descolonizando, decidiu fazer "um dois em um" - celebrar o feriado nacional e "impedir a ação subversiva que é um atentado ao nome de Portugal".

O grupo Descolonizando contou ao DN que o objetivo da manifestação pacífica era deixar flores e velas aos pés da estátua e recitar poesia para homenagear as vítimas da escravatura, perante uma figura que consideram um "esclavagista seletivo". Contudo, não o conseguiram fazer porque membros do grupo Portugueses Primeiro cercaram a estátua e os intimidaram.

Objetivo do grupo Descolonizando é claramente atacar Portugal e a cultura europeia

"É completamente falso. Esses senhores tinham de facto marcado o local da manifestação e nós não marcamos. Eles tinham mais direito do que nos em estar ali. Como é que nós, que nem sequer tínhamos marcado o local, podíamos impedir alguém de chegar a estátua? Se o fizéssemos a policia tirava-nos de lá", disse Rui Amiguinho "É uma acusação perfeitamente infundada e de quem quer lançar lama para a questão sem querer compreender o que realmente se passou", continua.

O dirigente descreve um ambiente "completamente cordial" durante a tarde de quinta-feira e diz que os "manifestantes não se aproximaram da estátua porque não quiseram". Diz ainda que o objetivo do grupo Descolonizando "é claramente atacar Portugal e a cultura europeia".

No local estavam cerca de uma dúzia de membros da Portugueses Primeiro, uma dúzia de membros do grupo Escudo Identitário, outras pessoas que se iam juntando à contramanifestação e "muitos polícias", segundo Amiguinho.

Amiguinho admite ter-se sentido "perfeitamente ofendido" por alguns meios de comunicação descreverem o grupo como neonazi. O dirigente da associação criada em 2015 diz ser um "patriota que foi impedir a deturpação da história".

A estátua do padre António Vieira, um dos religiosos mais conhecidos da história e da literatura portuguesa, foi erguida a 22 de junho deste ano no largo Trindade Coelho para homenagear "uma das maiores personalidades do pensamento" português, como disse o presidente da câmara, Fernando Medina, no dia da inauguração.

Contudo, para o grupo Descolonizando, a estátua representa um "esclavagista seletivo" que contribuiu para a colonização de milhões de africanos e o etnocídio ameríndio.

"Aquela escultura é uma representação muito violenta para a memória dos africanos e índios escravizados", disse ao DN uma integrante do movimento Descolonizando, composto por "investigadores, professores, artistas e ativistas de diversas nacionalidades", como se lê no Facebook.

"O objetivo não era claramente falar da escravatura ou da descolonização", disse Rui Amiguinho, "e aquele não era o local indicado". "Escravatura sempre houve infelizmente e foi praticada por todos os povos. Podia fazer-se uma lista enorme de povos que escravizaram outros povos e ninguém pede desculpa por isso, porque era um facto que era aceite na altura, fazia parte da cultura", continuou o dirigente

"Faz parte da nossa historia, não temos de nos envergonhar com isso", continuou. "Felizmente foram os europeus e os portugueses os primeiros a acabar com a escravatura".

No seu site oficial, o grupo Portugueses Primeiro, que se apresenta como uma associação de iniciativa cívica, escreveu um texto em que disse que a verdadeira intenção dos manifestantes era "denegrir a Igreja Católica e incutir um sentimento de culpa nos portugueses" e que o protesto era "uma manifestação de puro ódio anti-português".

O grupo partilhou fotografias do momento e disse ter cumprido o seu objetivo: "zelar pela gloriosa memória histórica" e impedir a realização de uma atividade "anti-nacional". "Portugal é dos Portugueses! A Nossa Terra é Nossa! Portugueses Primeiro!", lê-se no final do artigo.

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