Arte urbana mudou a cara do maior bairro social da Europa

Artistas como Vhils, Lara Seixo Rodrigues ou Pariz One deram nova cor ao bairro Padre Cruz, em Carnide

O bairro Padre Cruz, em Carnide, já não é o mesmo. Nos últimos 15 dias, mais de 30 artistas portugueses e estrangeiros transformaram o maior bairro social da Europa numa galeria a céu aberto, no âmbito do Muro - Festival de Arte Urbana, que terminou ontem. Das intervenções artísticas aos debates, a programação envolveu os criadores, os moradores e os visitantes. Até o Presidente da República por lá passou para comprovar que a pintura de murais relaxa.

As condições urbanísticas, arquitetónicas e logísticas do bairro Padre Cruz fizeram que fosse o local eleito para o festival, o primeiro do género em Lisboa e que contou também com intervenções dispersas pela cidade. Como curadores, a GAU (Galeria de Arte Urbana) - que organizou o festival com a Junta de Freguesia de Carnide - escolheu os responsáveis pela plataforma Underdogs, Vhils e Pauline Foessel, Lara Seixo Rodrigues, Pedro Soares Neves, Miguel Negretti, o graffiter Pariz One e Ana Vilar Bravo.

O objetivo era a realização de meia centena de intervenções em 2500 metros quadrados. De 30 de abril até ontem, os artistas deram mais cores às paredes do bairro, mas a intervenção foi bem mais abrangente. Houve trabalho comunitário e associativo, pedagogia, divulgação, cinema, música, animação de rua, teatro de marionetas, paintball.

No sábado, Marcelo Rebelo de Sousa passou pelo bairro Padre Cruz, onde deu umas pinceladas num muro que estava a ser pintado por crianças. "Estou a descobrir a minha vocação. Daqui a cinco anos dedico-me à pintura de murais. Isto é relaxante. Não se pensa na política, não é? Nem na economia", disse o Presidente da República. Acompanhado pelo presidente da Junta de Freguesia de Carnide, Fábio de Sousa, e pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, percorreu as ruas durante quase duas horas.

Para Marcelo, o festival "é uma forma de mostrar que o bairro está vivo, que aponta para o futuro, que está a dar uma volta na parte mais antiga, e de vencer o preconceito de que há bairros de primeira, de segunda, de terceira, de quarta, de quinta, de sexta".

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