Arriba caiu de repente. Não estava sinalizada como de risco iminente

Não houve vítimas no desmoronamento na praia Maria Luísa. Apesar de ter sinal de perigo, não se esperava uma derrocada iminente. Mas as arribas podem cair a qualquer momento e houve 21 derrocadas nos últimos 12 meses

Foi um grande susto. Por ter caído uma arriba numa praia algarvia. Por ter sido junto ao areal da Maria Luísa, em Albufeira, onde há sete anos morreram cinco pessoas. Por inicialmente, após o alerta, se temer vítimas soterradas. Mas não. A Polícia Marítima terminou esta segunda-feira a operação de remoção dos destroços da arriba sem encontrar vítimas. Fica mais uma vez o aviso do perigo que representam as arribas - sabe-se que vão cair, não se sabe é quando.

A arriba que se desmoronou parcialmente está localizada no lado da praia oposto ao local onde ocorreu a tragédia de 2009. "Não estava identificada como sendo de risco iminente", disse ontem o diretor regional da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Sebastião Teixeira apontou, contudo, que as arribas são, por natureza, instáveis. "Pode acontecer a qualquer momento uma arriba desmoronar sem aviso prévio, como aconteceu", frisou o responsável que esteve no local. A APA divulgou, no mês passado, que entre julho de 2015 e o último mês houve 21 derrocadas de arribas no litoral algarvio (ver P&R na página seguinte), o dobro da média anual da última década.

Só no concelho de Albufeira há 24 praias com arribas de risco

A arriba terá caído repentinamente, pouco antes das 13.00. Inicialmente, quando foi dado o alerta, falou-se em vítimas soterradas, mas terá sido confusão. Contudo, as autoridades tencionavam, ontem ao final do dia, na baixa-mar, remover todas as rochas para confirmar que ninguém ficou soterrado. Nos trabalhos participaram dezenas de homens, com recurso a máquinas retroescavadoras. Uma equipa de mergulhadores também marcou a zona onde se registou a derrocada e técnicos da APA estiveram no local a avaliar se as falésias contíguas apresentam fissuras ou risco de uma nova derrocada.

Queda a qualquer momento

A rapidez da derrocada não surpreendeu Sebastião Teixeira. As arribas "são, por natureza, instáveis" e, por isso, "podem cair a qualquer momento", disse ontem aos jornalistas. Em 80% dos casos, as arribas caem devido à ação direta do mar e da chuva, enquanto em 20% é por atingirem o limite. Sebastião Teixeira reafirmou que as arribas "são sempre instáveis" e que "nascem para cair", embora não se consiga precisar o momento em que isso vai acontecer.

Importante é que os banhistas tenham consciência disso e não frequentem zonas assinaladas como perigosas. Apesar de no Algarve não ter ainda sido aplicada nenhuma multa por desrespeito à sinalização de perigo, o responsável da APA lembra que muitas pessoas desrespeitam os avisos.

No Algarve o risco de derrocadas de arribas é muito elevado. Segundo a APA, como se pode ler no seu site na internet, há dezenas de arribas identificadas como de risco. Só no concelho de Albufeira estão monitorizadas 24 praias, entre as quais a Maria Luísa. Em Aljezur são sete, em Lagoa há 17, 11 estão em Vila do Bispo, nove em Portimão, cinco em Lagos e duas em Silves. Em todas as praias existe sinalização de alerta.

Quase em simultâneo com a derrocada em Albufeira, foi dado o alerta para outro incidente na praia de Benagil, em Lagoa. Nesta situação, um grupo de seis holandeses, incluindo crianças, entrou numa gruta utilizando um barco insuflável que acabou por ficar encalhado. Foram retirados sem problemas e, neste caso, não houve derrocada.

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