Arqueólogo defende classificação e aposta nas Galerias Romanas

António Marques admite ainda a possibilidade de serem permanentemente abertas ao público

O coordenador do Centro de Arqueologia de Lisboa (CAL) defende a classificação das galerias romanas da Rua da Prata e admite a possibilidade de serem permanentemente abertas ao público, desde que dinamizadas para atrair visitantes.

"Tenho esperança que se faça um estudo" para avaliar a possibilidade de as galerias estarem abertas ao público - em vez de abrirem apenas duas vezes por ano - "e tenho a esperança que se equacione a hipótese de dar mais dignidade e mais visibilidade ao monumento", disse o arqueólogo António Marques, em declarações à agência Lusa.

O responsável criticou a falta de classificação do monumento: "Há muito tempo que se sabe que aquilo está ali. Até é incrível pensar como é que passou este tempo todo e nunca teve nenhuma classificação, nem como imóvel de interesse público, de interesse concelhio ou de interesse nacional".

Fonte da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) confirmou à agência Lusa que as galerias "não estão classificadas individualmente, mas fazem parte integral do Conjunto de Interesse Público da Baixa Pombalina e, portanto, têm proteção legal".

A mesma fonte acrescentou que, até ao momento "não deu entrada [na DGPC] qualquer pedido de classificação individual", referindo que a "abertura do processo de classificação pode ser originada a partir [de uma solicitação] de qualquer entidade pública ou privada".

António Marques admitiu que a Câmara de Lisboa, onde está integrado o CAL, nunca fez nenhum pedido de classificação das galerias romanas da Rua da Prata, mas referiu que "mais cedo ou mais tarde" a autarquia vai "avançar" nesse sentido.

Para o responsável, a afluência ao monumento, caso estivesse de portas abertas, iria depender "da dinâmica que se desse ao espaço".

"Se fosse só pôr uma bilheteira à porta e não fazer mais nada, acho que não teria grande futuro, agora se se aproveitasse para lhe dar alguma outra vertente de divulgação do património na cidade de Lisboa" já resultaria, considerou.

António Marques falava à Lusa a propósito do primeiro encontro de arqueologia de Lisboa, sob o tema "Uma cidade em escavação", que decorre nos dias 26 a 28 de novembro no Teatro Aberto, organizado pelo CAL.

O objetivo é divulgar a "atividade arqueológica de Lisboa", que nos últimos anos tem "surpreendido bastante" os especialistas, disse.

Referindo-se a trabalhos recentes, António Marques indicou que durante as obras nos Terraços do Carmo foram encontrados "muitos enterramentos [mortos], porque aquele era um espaço cemiterial", e que as sondagens feitas por cima do criptopórtico romano da Rua da Prata revelaram construções do período medieval.

Em curso está "uma intervenção no Martim Moniz, no âmbito da criação de posto avançado dos bombeiros sapadores", apontou.

O responsável falou ainda nas sondagens que estão a ser realizadas no miradouro da Graça e no Campo das Cebolas para, respetivamente, construir um funicular e um parque de estacionamento subterrâneo.

Se no primeiro caso os trabalhos visam identificar "vestígios da muralha fernandina", quanto ao Campo das Cebolas "há intenção do arquiteto projetista, Carrilho da Graça, de integrar [nas obras] algum vestígio arqueológico que possa aparecer, designadamente o antigo paredão que delimitava a área ribeirinha da cidade", adiantou António Marques.

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