Os sindicatos dos Enfermeiros Portugueses (SEP), dos Médicos da Zona Sul (SMZS) e dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas agendaram um plenário geral na Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental (ULSLO) para segunda-feira, dia 16, às 14h00. Em causa a discussão do que podem e devem fazer perante o que chamam o “apagão” de milhares de horas extraordinárias trabalhadas e ainda não pagas do sistema informático. A situação foi detectada no dia 9 de março quando os trabalhadores, depois de ficarem com os horários bloqueados no sistema, perceberam que do seu registo individual de assiduidade tinham desaparecido “muitas horas extraordinárias trabalhadas e não pagas”. No caso dos enfermeiros, “muitas milhares de horas. Temos conhecimento de enfermeiros que têm em bolsa de horas 800, 900 ou até mais de mil horas extras trabalhadas”, explica ao DN a dirigente sindical do SEP, Isabel Barbosa. O Conselho de Administração da ULSLO explicou, na quarta-feira, dia 11, numa circular que a situação se deve à mudança do sistema informático, garantindo que “todo o histórico do registo individual de assiduidade será integralmente migrado, incluindo os registos de trabalho efetuados e constantes na versão anterior do sistema. Do mesmo modo, encontram-se salvaguardados todos os direitos dos trabalhadores, designadamente no que respeita à manutenção dos dias de férias.”No entanto, as três estruturas sindicais, que nos últimos tempos, têm vindo “a receber queixas do funcionamento do serviço de gestão de recursos humanos” querem saber “se estamos, de facto, perante uma questão de gestão e de mudança de programa informático ou se estamos na presença de algo mais grave”, argumenta ao DN o presidente do SMZS, André Gomes, acrescentando: “Esperemos que não seja este último caso. O nosso departamento jurídico já está a acompanhar a situação para que os nossos associados possam tirar todas as dúvidas. Na segunda-feira, vamos ouvir os trabalhadores e tentar perceber o que pretendem fazer, se for necessário estaremos disponíveis para o agendamento de protestos”. O DN não conseguiu chegar à fala com um representante do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais no Sul e Regiões Autónomas (FP), mas dizem-nos que a situação atinge de igual forma estas categorias profissionais. O DN sabe que a contestação à falta de pagamento de horas extras realizadas não é de agora, tendo levado já 638 enfermeiros a subscreveram um abaixo assinado, no dia 12 de fevereiro, a exigir o pagamento destas. Na semana passada, terá sido a classe médica a juntar-se aos protestos, chegando mesmo alguns elementos a “ameaçarem com o recurso a tribunal” para a resolver o problema. O DN questionou o CA da ULSLO sobre esta situação que respondeu o seguinte: “Relativamente às horas em bolsa, estão a ser desenvolvidos esforços para clarificar essa situação junto dos vários grupos profissionais da ULSLO.” Os dirigentes sindicais dos enfermeiros e dos médicos dizem ao DN que ouviram os trabalhadores tendo já solicitado uma reunião urgente com o CA da ULSLO. “A nossa preocupação é garantir que todos os direitos dos trabalhadores estão salvaguardados. Até porque, a circular informativa difundida pela administração da ULS não nos descansa”, argumenta ainda Isabel Barbosa. Ao DN, a dirigente reforça não saber concretamente qual o número de horas extras e o montante em falta que estão em causa na classe dos enfermeiros, “apenas sabemos que são muitos milhares de horas”, o mesmo diz o presidente do SMZS em relação à classe médica, por isso mesmo “já pedimos esclarecimentos à administração”. Na tarde desta quinta-feira, dia 12, os três sindicatos ainda aguardavam a resposta do CA da ULSLO sobre a atribuição de uma sala para a realização do plenário geral na segunda-feira, mas reuniremos da mesma forma dentro ou fora do Hospital São Francisco Xavier”