Ambientalistas defendem criação de área de emissões controladas no Atlântico

Estas limitações pretendem responder a um contexto em que o peso do transporte marítimo na economia mundial é crescente, com impactos significativos na qualidade do ar e da água que prejudicam a biodiversidade marinha e dos estuários e a saúde humana.

A associação ambientalista Zero defendeu esta quarta-feira a criação de uma área de emissões controladas na zona nordeste do oceano Atlântico, com o objetivo de limitar a poluição que resulta do transporte marítimo.

A intenção é criar uma zona integrada de emissões controladas de dióxido de enxofre e óxido de azoto, que ligue através do Atlântico nordeste as áreas que já existem nos mares Báltico, do Norte, Canal da Mancha e Mediterrâneo.

"É um passo fundamental para o combate à poluição do ar resultante do transporte marítimo e consequente proteção do ambiente e vidas humanas em todo o continente europeu", escreve a Zero em comunicado.

Nessas áreas, o combustível utilizado pelos navios não poderá ultrapassar os 0,1% de enxofre, que representa cinco vezes menos o limite atual, e todos os navios deverão utilizar tecnologias que permitam reduzir significativamente as emissões de óxidos de azoto.

Estas limitações pretendem responder a um contexto em que o peso do transporte marítimo na economia mundial é crescente, com impactos significativos na qualidade do ar e da água que prejudicam a biodiversidade marinha e dos estuários e a saúde humana.

"As emissões de dióxido de enxofre e óxido de azoto oriundas dos navios causam cerca de 60 mil mortes prematuras por ano, a nível mundial", refere a Zero, argumentando que, por isso, "criar áreas de emissões controladas de poluição do ar é cuidar da saúde das populações e dos ecossistemas".

No entender da Zero, a proposta é particularmente relevante no contexto português, já que a zona costeira do país é local de passagem para as principais rotas mercantes do mundo e está, por isso, mais exposta aos efeitos nocivos da poluição atmosférica dos navios.

"Torna-se imperativo que Portugal aja no sentido de minimizar, tanto quanto possível, os efeitos da poluição atmosférica associada aos navios ao longo da sua costa", acrescenta a associação.

No mesmo comunicado, a Zero saúda ainda o compromisso anunciado pelo primeiro-ministro na segunda-feira, primeiro dia da Conferência dos Oceanos da ONU 2022, sobre a criação de uma área de emissões controladas.

Entre as metas assumidas na abertura da Conferência, que decorre até sexta-feira em Lisboa, António Costa disse que Portugal irá criar, em parceria com a Agência Europeia de Segurança Marítima, "uma zona piloto de emissões controladas no mar português".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG