"Alô órbita, aqui Pavilhão do Conhecimento"

Alunos e professores de escolas portuguesas vão participar em ligação direta, ao vivo e a cores, com a estação espacial internacional para falar com astronauta francês Thomas Pesquet

A contagem decrescente já começou e está tudo a postos para amanhã. Quando forem 15.45, alunos e professores de nove escolas do país vão estar em direto, a partir do Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, com o astronauta francês Thomas Pesquet, que está a bordo da estação espacial internacional ISS, para uma missão de seis meses.

Da sua casa em órbita, 400 quilómetros acima da superfície terrestre, Thomas Pesquet vai responder às perguntas de alunos e professores de escolas portuguesas, que têm os pés bem assentes na Terra, no que será o momento mais aguardado de um dia cheio de atividades ligadas ao espaço.

Primeiro, logo a partir das 11.00, haverá palestras sobre o cosmos, lançamentos de foguetões e satélites feitos por especialistas, a que se seguirão experiências com muito espaço à mistura também, para desvendar os segredos do crescimento dos cristais, das enzimas ou das sementes em órbita, onde a gravidade é próxima de zero e todas as coisas têm aquela conhecida tendência para flutuar.

O momento alto vem logo depois: são 20 minutos para o "encontro imediato" com o astronauta que está na ISS - um acontecimento que os 220 jovens de nove escolas portuguesas tão cedo não vão esquecer.

Realizada no âmbito do ESERO, um programa da ESA, a agência espacial europeia, de apoio à formação de professores na Europa e que, em Portugal, tem como parceiro, já há quatro anos, a Ciência Viva, esta "chamada para órbita" era há muito um desejo dos organizadores portugueses.

"Todos os anos temos proposto no âmbito do ESERO o contacto com astronautas a bordo da ISS", explica Ana Noronha, que dirige o programa na Ciência Viva. "Agora, finalmente, chegou o momento", diz satisfeita.

Os 20 minutos de conversa com Thomas Pesquet foram cuidadosamente preparados ao longo das últimas semanas. Primeiro abriram-se as inscrições para as escolas, em seguida os professores e os alunos participantes elaboraram as perguntas, que posteriormente foram enviadas para a organização. A ESA, de entre todas as propostas, escolheu quatro para serem colocadas a Thomas Pesquet, a partir do Pavilhão do Conhecimento.

Mas como 20 minutos é pouco tempo, e nesta atividade também participam escolas da Roménia e da Irlanda, através dos respetivos programas ESERO, e com as suas próprias perguntas para o astronauta, duas pelo menos serão garantidamente feitas a partir da capital portuguesa, e também já estão definidas.

Uma delas nasceu da curiosidade de alunos e professores da Escola de Ensino Profissional de Almada. A outra vem da Escola Secundária Sebastião e Silva, em Oeiras. "Quando souberam que as suas questões tinham sido as escolhidas, ficaram muito contentes", conta Cátia Cardoso, que coordena no terreno as atividades do ESERO Portugal. Mas, sublinha, "também ficaram com um pouco de sentimento de responsabilidade, devem ter ficado um bocadinho nervosos".

Nervosos ou não, são as perguntas deles que na próxima terça-feira vão ser ouvidas lá em cima, na órbita da Terra, pelo astronauta europeu, quando elas forem pronunciadas ao microfone pelos seus professores no Pavilhão do Conhecimento. E pode saber-se que perguntas são essas?

Cátia Cardoso ri-se e concorda em revelar uma delas, para aguçar o apetite. Ela foi feita pelos jovens participantes da Secundária Sebastião e Silva, de Oeiras, e diz assim: "O nível de radiação no espaço é preocupante do ponto de vista dos materiais de que é feita a ISS?" A pergunta, claro, será feita em inglês, a língua que todos vão usar durante a transmissão, incluindo o astronauta francês.

Amanhã se verá o que ele tem a dizer sobre a questão, e também sobre todas as outras perguntas que os jovens portugueses, romenos e irlandeses vão fazer-lhe. Para já, prossegue então a contagem decrescente.

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