Algarve quer ser o destino mais seguro da Europa

Controlo de fronteiras apertado e equipas policiais de apoio aos turistas na região anunciados pela Administração Interna

O Governo quer tornar o Algarve "o destino turístico mais seguro da Europa", o que ganha maior relevância numa época de alerta terrorista no espaço europeu. O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, esteve em Albufeira (Algarve) a sublinhar a importância do projeto "Algarve - Destino Seguro", e a defender medidas como a criação de "instrumentos de coordenação e fiscalização eficazes" no controlo de fronteiras para o combate a crimes preocupantes no contexto europeu de ameaça terrorista. Crimes como o auxílio à imigração ilegal, o tráfico de seres humanos, de drogas e de armas, o contrabando e a contrafação, frisou o governante. O aeroporto de Faro, no Algarve, tem estado - à semelhança dos aeroportos de Lisboa e Porto - com particular vigilância da PSP desde o pós atentados de Paris (13 de novembro de 2015).

Num verão em que são esperados "números recordes no turismo" em Portugal, e em particular nesta região, como admitiu fonte oficial da PSP ao DN, o projeto "Algarve- Destino Seguro" vai estar focado no "sentimento de segurança dos turistas nacionais e estrangeiros", como referiu Jorge Gomes.

Para isso vai criar uma "estrutura permanente de análise da segurança no Algarve, acompanhado, com recurso a informação estatística" a perceção que os visitantes manifestem, de se sentirem ou não seguros. O projeto inclui cinco pontos centrais, como adiantou o secretário de Estado: os postos de atendimento ao turista; a aplicação para smartphones preparada para responder às necessidades dos turistas; as equipas de proximidade no âmbito do turismo; as equipas de pós-vitimização que atuam quando os turistas são vítimas de crimes e, finalmente, as equipas mistas de policiamento luso-espanholas.

A PSP e a GNR estão neste momento a elaborar os seus planos de reforço operacional para o verão, na região (ver caixa, como o DN confirmou junto das duas forças de segurança. Serão apresentados em Maio. Há enfoque nas cidades de Albufeira, Portimão, Tavira, Lagos, Vilamoura e Faro.

Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), explicou que a região tem todas as características para se diferenciar, pela positiva, na conjuntura atual do medo de viajar para determinados países. "Nesta altura, considerando que há destinos turísticos que estão em situação de conflito, os mercados emissores procuram direcionar para destinos mais seguros. Queremos que o Algarve seja o destino turístico mais seguro da Europa porque a esse nível dá cartas".

Este verão está quase esgotado

Este ano o Algarve já tem mais "20 a 30% de reservas para o verão do que em igual período do ano passado", referiu Desidério Silva, e o DN sabe que o "RB&B" ou alojamento local já está esgotado. O ano passado registaram-se sete milhões de dormidas. Em 2015, o Algarve foi visitado por 3,6 milhões de turistas - 2,5 milhões de estrangeiros e 1 milhão de portugueses. O número de estrangeiros subiu em relação a 2014 (2,4 milhões) mas o de portugueses diminuiu ligeiramente (1,1 milhões).

Mas o responsável pelo Turismo do Algarve não quer apenas a ocupação lotada no verão. "Queremos chegar a uma taxa de ocupação anual de 75% no final de 2016", afirmou Desidério Silva.

Até a Proteção Civil conta

Na luta para o destino mais seguro europeu, até os riscos associados à Proteção Civil terão de baixar. O secretário de Estado Jorge Gomes afirmou em Albufeira que o Governo quer "dar um salto no âmbito da proteção civil preventiva". Como? "Melhorando os sistemas de aviso de alerta, aprofundando a sensibilização e formação da população" para construir "comunidades mais resilientes a acidentes graves e catástrofes". Jorge Gomes quer reforçar a proteção civil municipal no Algarve "através dos agentes locais que, sendo responsáveis pelo planeamento e conhecedores do terreno, constituem o elo de ligação ideal com as populações". O que passa pela "descentralização de competências e pelo forte envolvimento das freguesias".

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