Comissão Europeia garante: os kebabs não estão em risco na UE

A ideia é passar a permitir fosfatos nesta carne. Os eurodeputados invocam riscos para a saúde

E, de repente, foi o pânico: a Comissão Europeia teria planos para acabar com os kebabs, o apetitoso fast food de carne grelhada em espeto giratório, oriundo da Turquia, que se generalizou por cá. Os títulos repetiram-se nos sites internacionais de notícias, houve políticos alemães a falar em perda de milhares de empregos, industriais do ramo arrepelaram os cabelos. Em causa estaria a intenção de proibir os fosfatos na preparação daquela carne, sem os quais o kebab deixaria de ser o que é. Mas, não é assim. Os fosfatos já são banidos por lei na carne do kebab, que, afinal, não está em risco de extinção.

Ontem a Comissão emitiu um comunicado negando a intenção de pôr fim à apreciada iguaria e o seu objetivo é, pelo contrário, passar a permitir o uso de fosfatos naquela carne. Só que isso não agrada aos eurodeputados, uma vez que há estudos que apontam para uma relação perigosa entre aqueles aditivos e um maior risco de doenças cardiovasculares. Afinal o que é que vai acontecer aos kebabs na União Europeia?

A melhor resposta é esta: nada. Vai tudo ficar como já estava, seja qual for o sentido de voto do Parlamento Europeu (PE) que, entre os dias 11 e 14 deste mês, terá de votar em sessão plenária a proposta da Comissão Europeia, não para proibir a venda de kebabs, mas para permitir que eles passem a conter fosfatos. É verdade, o o uso de fosfatos na carne dos kebabs vendidos na Europa não é atualmente permitido, justamente por causa das leis europeias em vigor, e a proposta que a Comissão agora avança é que essa carne seja mais uma exceção no uso desses aditivos. Como contribuem para que a carne mantenha o teor de água enquanto é grelhada, ficaria assim "mais suculenta".

Só que, a autorização para que isso aconteça tem de ser dada pelo Parlamento Europeu (PE) - a proposta vai a votos na próxima semana - , e a comissão de Ambiente, Saúde Pública e Segurança Alimentar do PE já mostrou um primeiro cartão vermelho à ideia da comissão, quando votou contra ela na semana passada. Se a maioria dos eurodeputados (terão de perfazer 376 votos) secundar o parecer daquela comissão na votação plenária, então a proposta da Comissão será rejeitada. E a carne de kebab terá de continuar a ser comercializada na União Europeia sem os aditivos, como já agora acontece - embora, segundo o Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no PE, que integra a família socialista europeia, isso nem sempre seja cumprido. De acordo com um documento divulgado por aquele grupo político em 28 de novembro, há carne de kebab congelada com aqueles aditivos que é comercializada na Europa como se nada fosse, "constituindo um perigo para a saúde pública".

Os eurodeputados da comissão de Ambiente têm argumentos de peso contra a utilização dos fosfatos na carne, baseados nos resultados de estudos de 2012 que apontam para que a ingestão daqueles químicos implica um risco acrescido de doenças cardiovasculares. Os fosfatos em causa são "o ácido fosfórico, os di e trifosfatos, e os polifosfatos", ou seja, os "E-338 e E-452" na nomenclatura europeia, segundo um comunicado do PE.

"Dado que há estudos científicos significativos que detetam fosfatos em carne e que demonstram que eles têm consequências negativas na saúde humana, não deveria haver sequer necessidade desta votação", disse a eurodeputada dinamarquesa Christel Shaldemose, da comissão Ambiente, Saúde Pública e Segurança Alimentar do PE, e uma das que liderou a preparação da resposta à Comissão Europeia. Resta saber qual será a votação em plenário na próxima semana. Uma coisa é certa, os europeus vão continuar, tranquilamente, a deliciar-se com os kebabs.

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