Advogado do pai denuncia "caça a um homem que perdeu duas filhas"

Rui Maurício, advogado de Nelson Ramos, diz que o pai das crianças arrastadas para a água está em "profunda dor" e reconhece "contornos estranhos" na separação do casal

Em entrevista à SIC Notícias, o advogado do pai das duas crianças que morreram em Caxias, arrastadas para a água pela mãe - uma das duas continua desaparecida - criticou o "cenário de caça a um homem que perdeu duas filhas" e garante que Nelson Ramos está "em profunda dor" porque tinha "uma paixão imensa pelas filhas".

Rui Maurício, que acompanha o caso de Nelson Ramos desde que ele e Sónia Lima decidiram separar-se, em novembro de 2015, diz que o caso foi identificado pelo seu escritório de advocacia como um processo de alienação parental, mas que foi notada a "necessidade de uma intervenção da parte das instituições", razão pela qual contactou a Comissão de Proteção de Menores. "Havia contornos estranhos", explicou, "uma situação de grande instabilidade emocional que não é normal numa situação como aquela que era descrita". "Com a informação que tínhamos, achámos que não estávamos perante um cenário de mera intervenção processual, daí termos recorrido às instituições", frisou Rui Maurício.

O advogado confirmou que o pai das crianças mortas tinha, tal como a mãe - que está detida e acusada de dois crimes de homicídio - contactado a APAV (associação de apoio à vítima) por se encontrar numa situação de grande desorientação, "afastado das filhas". E acrescentou que também ele aconselhou acompanhamento médico a Nelson Ramos, quando foi contacto devido à separação, uma vez que o pai "precisava de se tranquilizar. Era uma pessoa triste, que chora, que se sentia perdida porque via as filhas fugirem-lhe das mãos".

Confrontado com as acusações de violência doméstica e abuso sexual que recaem sobre Nelson Ramos, o advogado Rui Maurício, ressalvando as limitações do sigilo profissional, refere que "no único processo" de que teve conhecimento e em que Nelson Ramos foi ouvido como arguido "os factos apresentados não me merecem, como profissional, uma gravidade que justifique aquilo que se está a passar. Os factos que lá estão são meramente indiciários de uma realidade que tem de ser comprovada em julgamento".

Questionado sobre a estratégia da defesa, Rui Maurício disse não existir qualquer estratégia, uma vez que "não há acusação, há um homem que perdeu duas filhas", garantindo que as diligências a tomar irão no sentido de defender o bom nome de Nelson Ramos e a sua integridade física, já que existem "propaladas ameaças que circulam na internet".

Em comunicado enviado às redações na noite de quarta-feira, o pai das crianças que morreram na praia da Giribita, em Caxias, negou as acusações da ex-companheira de violência doméstica e abuso sexual das menores. E acusou a APAV, CPCJ e Tribunal de Família e Menores de não lhe darem ouvidos.

"Nego, com todas as forças que ainda me restam todas as barbaridades que estão sendo veiculados em alguma da comunicação social relativas à minha pessoa". E acusou: "Pedi auxílio às instituições APAV, CPCJ e Tribunal de Família e Menores que não quiseram ouvir-me, pessoalmente ou através dos meus advogados, nem nunca me procuraram".

O corpo de uma das crianças, uma bebé de 19 meses, foi recuperado logo na segunda-feira à noite, pouco tempo depois de a mãe - detida na ala psiquiátrica do hospital prisional de Caxias - se ter alegadamente lançado à água com as duas filhas. As buscas seguem ainda esta quinta-feira para tentar encontrar a segunda menina desaparecida, de quatro anos.

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