"Adoro viajar, mas nada se compara ao regresso a casa e aos nossos"

A investigadora e professora universitária Ana Isabel Xavier responde ao famoso Questionário de Proust e escolhe Sophia de Mello Breyner Andresen, David Mourão Ferreira e Miguel Torga como autora e poetas preferidos. E diz estar "ansiosa por dias quentes, sem horários, rotinas ou obrigações".

A sua virtude preferida?
Brio. Em mim e nos outros. Sentido de responsabilidade, de dever cumprido e gosto pela perfeição. Para dormir descansada e em paz.

A qualidade que mais aprecia num homem?
Saber ser, saber estar.

A qualidade que mais aprecia numa mulher?
Saber ser, saber estar.

O que aprecia mais nos seus amigos?
Lealdade.

O seu principal defeito?
Ansiedade em querer agarrar o mundo de uma só vez e incapacidade de saber lidar com as incertezas.

A sua ocupação preferida?
Viajar, conhecer pessoas empreendedoras e locais inspiradores.

Qual é a sua ideia de "felicidade perfeita"?
O meu filho a rir a bandeiras despregadas.

Um desgosto?
Chegar a muitos fins do dia com a frustração absoluta da incapacidade de conciliação entre a vida profissional e familiar.

O que é que gostaria de ser?
Mais disciplinada com prazos.

Em que país gostaria de viver?
Nunca ambicionei viver muito tempo fora de Portugal! Adoro viajar e até passei temporadas de investigação em Paris, Montreal ou Washington, mas nada se compara ao regresso a casa e aos nossos.

A cor preferida?
Coral, pela energia vibrante, espirituosa e despreocupada.

A flor de que gosta?
Tulipa. Brancas para momentos de paz e tranquilidade. Laranjas ou amarelas para atrair vitalidade.

O pássaro que prefere?
O açor, pelas origens da minha avó paterna e pela habilidade para voos grandes e velozes.

O autor preferido em prosa?
Sophia de Mello Breyner Andresen, pelo mar no olhar e a clarividência da leitura sobre o país.

Poetas preferidos?
David Mourão Ferreira (o seu cancioneiro de natal é uma evocação regular em família), Vitorino Nemésio pelas Cantigas de Coimbra e Miguel Torga pela versatilidade e arrojo.

O seu herói da ficção?
Forrest Gump, pela ingenuidade bondosa e a sua caixa de chocolates.

Heroínas favoritas na ficção?
Birgitte Nyborg em Borgen e Elizabeth McCord em Madam Secretary. Assumo a minha preferência por séries de culto em que a liderança feminina é bem real, mesmo que qualquer relação com a ficção seja mera coincidência.

Os heróis da vida real?
As crianças, pela sua ingenuidade e pureza incondicional, por nos darem colo sem saberem que é quando mais precisamos de alento.

As heroínas históricas?
Maria de Lourdes Pintasilgo, por ter feito história e abrir caminho para se continuar a acreditar em fazer história.

Os pintores preferidos?
Mário Silva e Zé Penicheiro por me fazerem evadir nas minhas origens entre a Coimbra e a Figueira da Foz; Frida Kahlo, pela exuberância da história de vida.

Compositores preferidos?
Astor Piazzolla (para ouvir de olhos fechados no Teatro Colon pela Orquestra Filarmónica de Buenos Aires) e Rui Massena (pela alma irreverente que entrega em cada partitura).

Os seus nomes preferidos?
António, o nome do meu filho e o do meu avô materno.

O que detesta acima de tudo?
O ódio gratuito e a inveja infundada, a deslealdade e a intriga fácil, o permanente descontentamento e queixume.

A personagem histórica que mais despreza?
Paul Joseph Goebbels, pelo receio de não termos aprendido totalmente com o erro de moldar a moral pela propaganda do rancor e preconceito.

O feito militar que mais admira?
Batalha das Termópilas. Do ponto de vista estratégico e tático, é dos melhores exemplos de patriotismo e de combate em grande desvantagem e contra todas as adversidades.

O dom da natureza que gostaria de ter?
Saber voar sem rede, como a criança que nunca cresceu.

Como gostaria de morrer?
Velhinha, tranquila e serena, a contemplar o mar da minha infância.

Estado de espírito atual?
A acusar um certo burnout digital, ansiosa por dias quentes, sem horários, rotinas ou obrigações.

Os erros que lhe inspiram maior indulgência?
A primeira tentativa de aprendizagem, porque ninguém nasce ensinado e uma ou outra "falha" por desconhecimento cultural ou civilizacional. Mas a insistência no erro propositada, por displicência ou indiferença, revela em mim alguma intolerância e incompreensão.

A sua divisa?
"Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé" (Anthoine de Saint Exupery).

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