Em Portugal, um Acidente Isquémico Transitório (AIT) atinge cerca de cinco mil pessoas por ano. E, como explica ao DN a presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Cristina Gavina, “é transitório porque os sintomas são rapidamente reversíveis (em 24 horas por exemplo), ao contrário do que acontece com um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em que o mesmo tipo de sintoma persiste no tempo”. Dito de outra forma, “são limitações provisórias do fluxo sanguíneo no cérebro, que até podem não deixar marcas visíveis num exame como o TAC”. No entanto, uma coisa é certa: “É um sinal de alerta, porque se nada for feito, a seguir vem um AVC”, alerta a médica.A sigla AIT é mais uma que entra para o vocabulário comum depois de ter sido noticiado, nesta quarta-feira, dia 25, que o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, de 47 anos, deu entrada no Hospital Santa Maria, pela manhã, por uma indisposição que viria a ser identificada como um Acidente Isquémico Transitório, segundo apurou o DN.Ao final da manhã, o hospital acabava por confirmar que o governante tinha dado entrada na unidade, realizado exames e que ainda estava sob observação por precaução, descartando a possibilidade de um AVC. Mas o DN soube que o governante acabou mesmo por ter de ficar internado na unidade de neurologia, pelo menos por 24 horas, se se mantiver estável.Um internamento que, segundo explicou Cristina Gavina ao DN, “é mesmo necessário. Até para se poder fazer a repetição de um TAC cerebral e verificar-se se a situação foi revertida”. A médica diz que jovens, adultos ou idosos devem estar atentos aos sintomas, porque estes podem surgir em qualquer idade, quer devido a uma situação hereditária de doença vascular, quer por outros fatores de risco, como tabagismo, obesidade, diabetes ou hipertensão.“Dependendo do lado do cérebro que estiver a ser mais afetado pela limitação no fluxo sanguíneo, as pessoas podem sentir, e normalmente dão conta que algo está a acontecer, falta de força ou o que chamamos de parestesias, sensação de formigueiro ou dormência, ou, eventualmente, tonturas e alguma dificuldade no equilíbrio. Portanto, são sintomas que acabam por ser parecidos com os do AVC”, sublinha a médica.Aliás, pode dar-se o caso de uma situação deste tipo ser desenvolvida por pessoas que "até têm poucos fatores de risco, mas que têm uma maior predisposição para doenças procoagulantes ou protrombótica, que formam coágulos transitoriamente no sistema arterial, e desconhecem".Por isto mesmo, todos devemos estar atentos aos sinais, aconselha a presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, porque "um AIT não é uma situação inócua. É sim, e indiscutivelmente, um alerta. E se acontece quer dizer que o risco de haver uma oclusão total, que não seja a oclusão transitória da artéria, existe. Se não for feito nada vai acontecer um AVC. A questão é essa”, afirma, relembrando que há pessoas que “não têm esta 'sorte', digamos assim, de uma situação transitória, porque têm logo a manifestação mais grave, que é o AVC”.De acordo com a médica, o passo o seguinte “é a vigilância, pelo menos 24 horas, para repetir o TAC cerebral e realizar mais alguns exames para melhor se esclarecer a origem deste episódio”. A cardiologista volta a reforçar que as doenças cardio e cérebro vasculares são a principal causa de morte em Portugal e que um AIT “atinge fundamentalmente pessoas com mais idade e com mais fatores de risco, mas os jovens não estão livres de lhes poder acontecer o mesmo". Como diz, "a Sociedade Portuguesa de Cardiologia repete frequentemente que as pessoas não podem descurar fatores de risco quando são jovens, devendo fazer medição da tensão arterial, do colesterol e da glicémia para ver se têm diabetes ou risco de desenvolver a doença. Costuma dizer-se que: 'Se não dói, a pessoa não sente, mas se não avaliarmos estas situações poderemos ter consequências graves”, conclui.Recorde-se que os dados mais atualizados da Via Verde AVC, referentes a 2024, revelam que o INEM encaminhou 7886 pessoas para unidades hospitalares com sinais de AVC (incluindo situações de AIT com potencial gravidade), sendo que “a incidência anual de AIT na doença cerebrovascular é relevante”..Ministro das Finanças terá sofrido Acidente Isquémico Transitório e deve ficar internado 24 horas