Acampada de Lisboa marcha do Marquês até ao Rossio

Manifestação "Não temos casa, montamos tendas!" exige medidas para resolver o problema de acesso à habitação.
Acampada de Lisboa marcha do Marquês até ao Rossio
Foto: Leonardo Negrão

PSP promete "privilegiar o diálogo" com manifestantes

A PSP tem este sábado um dispositivo policial preparado para acompanhar as manifestações pelo direito à habitação em várias cidades do país, com especial atenção em Lisboa e Porto, avançando que vai continuar a privilegiar o diálogo com os manifestantes.

Numa nota sobre o dispositivo policial para as várias manifestações que decorrem em várias cidades, a Polícia de Segurança Pública refere que a prioridade “é garantir o exercício do direito de reunião e manifestação, procurando que todas as iniciativas decorram de forma pacífica e em segurança”.

Segundo a PSP, para as manifestações estão mobilizadas valências do trânsito, para apoiar a gestão dos condicionamentos rodoviários, e equipas de intervenção rápida, estando de reserva os meios da Unidade Especial de Polícia, nomeadamente o Corpo de Intervenção e o Grupo Operacional Cinotécnico.

“A nossa atuação continuará a privilegiar o diálogo, a comunicação e a mediação com os manifestantes, numa lógica de prevenção e de gestão proporcional de eventuais ocorrências”, indica a polícia.

A polícia dá ainda conta que “está também a acompanhar a informação disponível em fontes abertas, incluindo no ambiente digital, de forma a melhor compreender a evolução dos acontecimentos e as intenções publicamente manifestadas, permitindo uma adequada antecipação e gestão de eventuais riscos”. Lusa

"O primeiro-ministro encontra-se ausente em parte incerta", diz José Manuel Pureza 

O líder do Bloco de Esquerda juntou à manifestação e diz que a mobilização de pessoas de "todas as idades, de todo o país, de todas as origens profissionais" em torno das questões da habitação pode ter impacto. "Foi isso que fez com que o pacote laboral tivesse perdido primeiro na rua e depois no Parlamento. E eu creio que é isso que vai acontecer com a Lei das Rendas", afirmou antes do início da marcha.

José Manuel Pureza sublinhou que "nestes últimos dias não temos ouvido o primeiro-ministro falar sobre estes protestos. Nem sobre isto, nem sobre nada. O primeiro-ministro encontra-se ausente em parte incerta".

O líder do Bloco considera que o "primeiro-ministro não querer ser visto, tem muito a ver também com isto. Ou seja, com a sua vontade de não ser confrontado com uma mobilização nacional que é cada vez mais forte".

Medidas que agravam a especulação imobiliária "não pode deixar de gerar indignação", diz João Ferreira do PCP 

Na manifestação está também João Ferreira, vereador da Câmara Municipal de Lisboa pelo PCP, que acusa o Governo de não tomar medidas para resolver o problema da habitação. "Em lugar de tomarem as medidas que se impõem para resolver o problema [da habitação], para combater a especulação imobiliária, para dar outra segurança e estabilidade aos contratos de arrendamento, tomam medidas no sentido oposto. Ou seja, medidas que agravam a especulação imobiliária, criam ainda maior instabilidade e mais dificuldade de acesso à habitação. Isso não pode deixar de gerar indignação", afirmou aos jornalistas.

"Mobilização cidadã tem tido um grande efeito", diz Isabel Mendes Lopes do Livre

A deputada do Livre Isabel Mendes Lopes associou-se ao protesto e antes do arranque da marcha, em declarações à RTP, disse que "esta mobilização cidadã tem tido um grande efeito, pelo menos na mudança do tipo de discurso que vemos por parte dos dirigentes políticos, nomeadamente por parte do Governo e dos partidos da direita".

Considera a deputada que "quando começaram estas mobilizações, víamos declarações muito atiçadas, muito até insultuosas relativamente a quem se estava a manifestar, e agora o tom está muito mais amenizado e, portanto, mostra que os governantes percebem que a opinião pública está com os manifestantes e com quem exige soluções concretas para resolver a crise da habitação".

Marcha pelo direito à habitação em Lisboa

O movimento Acampada de Lisboa promove uma manifestação contra a especulação e pelo direito à habitação, que sairá do Marquês de Pombal até à praça do Rossio. A manifestação "Não temos casa, montamos tendas!" sai da rotunda do Marquês de Pombal e termina na Praça do Rossio, onde tem montado tendas.

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