O terrorismo de extrema-direita e movimentos relacionados mereceram uma atenção especial do diretor-geral do Serviço de Informações de Segurança (SIS) que os considerou como "fenómeno transnacional" que tem recrutado e radicalizado muitos jovens em ambiente online, difundindo discurso de ódio e glorificando a violência.."Nos últimos anos, temos registado a emergência do terrorismo de extrema-direita, com vários atentados concretizados e disrompidos em diferentes países no mundo", assinalou Neiva da Cruz, que dirige as "secretas" desde 2015..Intervindo na conferência da Universidade Autónoma que lançava a questão "Está a Europa mais preparada perante ameaça terrorista?", este responsável lembrou que "o trágico ataque de Anders Breivik na Noruega em 2011, que fez 77 vítimas mortais e dezenas de feridos, não foi um episódio isolado" e "continua, ainda hoje, a inspirar atos de terrorismo de extrema-direita"..Um dos que colheu inspiração naquele ato inspiração, foi Brenton Tarrant, o terrorista australiano que fez 49 vítimas mortais e mais de 20 feridos num ataque na Nova Zelândia, em 2019..Neiva da Cruz considera que o terrorismo de extrema-direita é um "fenómeno transnacional" e que existe hoje "uma comunidade de extrema-direita online ou, melhor, uma rede pouco estruturada de grupos online com militantes de extrema-direita de diferentes nacionalidades, que se dedica à difusão de propaganda de ódio, à glorificação dos terroristas de extrema-direita (como Breivik e Tarrant) e à partilha de conhecimentos, experiências e manuais, tendo em vista o recrutamento, a radicalização e o incentivo ao cometimento de ações violentas"..Segundo o diretor do SIS "esta nova extrema-direita de matriz terrorista - que emergiu da alt-right norte-americana e que se espalhou pelo mundo - é designada de aceleracionista, pois pretende precipitar (ou acelerar) a eclosão de uma guerra racial ou civilizacional, visto entender que já não existem outras alternativas para travar a "substituição da raça branca"..De acordo com a caracterização feita pelo SIS, esta nova externa direita "move-se e oculta-se "no ambiente online, inclusivamente em plataformas de gaming" e "tem conseguido recrutar e radicalizar públicos muito jovens, beneficiando também da polarização política que se faz sentir em praticamente todas as sociedades democráticas de hoje"..Recorde-se que em maio de 2022, a PJ deteve um jovem português de 17 anos, autor da intrusão online de um debate no Liceu Camões..Conforme o DN noticiou, na acusação, deduzida em fevereiro passado, o Ministério Público concluiu que D.S. tinha aderido ao National Partisan Movement (NPM), um grupo de extrema-direita, com sede nos Estados Unidos, que usava plataformas como o Telegram para recrutar jovens neonazis entre os 14 aos 19 anos..O diretor do SIS também revelou que "num preocupante sinal de desenraizamento social, existe, ainda, um número crescente de casos de extremistas que ora se aproximam do terrorismo islamista ora do terrorismo aceleracionista de extrema-direita"..Por outro lado, sublinhou, "assistimos, hoje, ao surgimento de uma ameaça de terrorismo com origem em movimentos antissistema, alguns dos quais com pontos de contacto com a extrema-direita, que se sustentam em teorias da conspiração para atacar as democracias e suas instituições, tanto no plano nacional como internacional..O caso do movimento Reichsbürger na Alemanha - mediatizado pela detenção de cerca de 25 extremistas em dezembro do ano passado - é paradigmático"..Neiva da Cruz também falou do terrorismo de matriz islamista, que está numa "fase de redefinição", designadamente com o surgimento de uma possível "nova geração sem ligação formal às organizações, que desenvolve toda a sua atividade segundo a lógica do "do it yourself"" e que tem por marca toda uma "diversificação de plataformas e canais de conversação encriptada, de aplicações nas redes sociais e plataformas de gaming"..Quanto à pergunta do tema da conferência, o diretor do SIS respondeu "sim e não". Assumiu que, se por um lado, "há mais experiência acumulada" e mais cooperação entre autoridades, principalmente a nível europeu..Por outro lado, "a exploração de novas tecnologias e ambientes é sempre mais célere por parte de extremistas e terroristas do que por parte das entidades que lhe devem dar resposta"..Neste contexto, asseverou, "devemos estar já particularmente atentos à exploração do metaverso e de ferramentas de inteligência artificial por agentes de ameaça terrorista, visto que oferecem possibilidades de atividade mais amplas e sofisticadas"