A minha conversão a Francisco

Na primeira pessoa. A simpatia do Papa Francisco e as mensagens que enviou - sobre a paz, sobre a forma como peregrinam, sobre as aparições -, ou as histórias de fé e das pessoas que fizeram quilómetros para chegar ao Santuário da Cova da Iria e participarem nos cem anos de Fátima? O que terá marcado mais a vivência dos jornalistas do DN durante estes dias? Este foi o desafio lançado aos quatro repórteres que estiveram no terreno neste 13 de maio e que com ele viajaram no mesmo avião. Os testemunhos aqui ficam

A primeira vez que vi o Papa Francisco acabava de ser eleito, há quatro anos em Roma, onde eu já estivera mas sem nunca ter visto o papa. Nessa quarta-feira, audiência papal, surgiu no papamóvel, cumprimentando quantos se aproximavam, descendo e eliminando as barreiras da praça de S. Pedro. Acarinhando e beijando as crianças - Pensei: "É o início, já lhe passa".

Ouvi as suas intervenções, com os desfavorecidos em destaque nas mensagens, também para com quem a Igreja põe de lado. Critiquei; "Postura de miss, amor para todos e paz para o mundo."

Pior, quando percebi que Francisco não tem a mesma abertura na prática clerical para com os assuntos chamados fraturantes: a homossexualidade e o aborto ou o casamento dos divorciados católicos, o que parecia apoiar e nada se avançou. Os especialistas que me perdoem, é apenas uma observação.

Estava na equipa de reportagem para cobrir Fátima comecei a preparar-me, mais ainda quando disseram que o DN fora aceite para integrar o voo papal. Vi o filme "Francisco, o papa do povo." Conta a vida de um padre numa Argentina sofrida pela ditadura militar, que percorria as ruas para ajudar os mais fracos com quem lutou e serviu de escudo nas barreiras de polícias. Um jesuíta que acolheu no seu colégio quem era perseguido pelo regime. Ele e outros padres, alguns dos quais pagaram com a vida. Mesmo sabendo que todos os filmes são romanceados, caíram as minhas reservas em relação ao homem.

A segunda vez que vi o Papa Francisco foi esta última quarta-feira, mais uma vez na audiência papal. Não tinha mudado de atitude. Uma grande proximidade com as pessoas, atenção ao pormenor e ao que têm para lhe dizer, passa sem pressas. Mais de duas horas nisto.

O mesmo homem esteve no avião, cumprimentando sempre primeiro a tripulação e, à ida para Monte Real, os 72 jornalistas um a um, parando para os ouvir, mostrando conhecer os vaticanistas que o acompanham há anos. Postura idêntica na Casa do Carmo, onde dormiu e agradeceu pessoalmente quem o serviu, na Capelinha das Aparições em recolhimento, no altar ou na Cova de Iria quando na despedida brinca com o boneco de uma criança, a mesma atenção para com o outro, sobretudo para quem não está habituado a este tipo de manifestações e de respeito.

No regresso a Roma responde às perguntas dos jornalistas. Mostra conhecimento sobre o que se passa na Santa Sé, opina mas também é diplomata, vai contra a maré, incluindo o motivo que o trouxe a Fátima: o Centenário das Aparições. Explica que o mais importante é a inocência das crianças, o papel da Virgem Maria, que considera representar todas as mães e a devoção dos peregrinos.

E é ele quem diz para o director de imprensa do Vaticano, Greg Bruke, "deixa lá fazer mais uma pergunta", a terceira dos portugueses e fora do alinhamento da conferência de imprensa mas prevista como suplente.

Gosto deste homem. Quanto às questões eclesiásticas ... é outra conversa.

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