A Box das Emoções que há um ano ajuda a vida dos idosos

Lar da União Mutualista do Montijo assinala um ano de um projeto que ajudou a manter a saúde mental dos utentes, que ficaram sem visitas devido à pandemia.

Faz neste Dia da Mãe um ano que a emoção tomou conta do lar da União Mutualista Nossa Senhora da Conceição (UMNSC), no Montijo. Emoção sentida pelos utentes e pelas famílias, que estavam privadas de trocar um olhar, um aceno, um sorriso e muito menos um abraço. E que nesse dia voltaram a ver-se.

Com a suspensão de visitas aos lares devido à covid-19, houve a necessidade de estas instituições tentarem reinventar-se e, ao mesmo tempo, conseguir condições para minorar o impacto de uma situação psicologicamente muito difícil tanto para quem estava internado como para os familiares.

É nesse contexto que nasceu a Box das Emoções, um projeto da Associação Mutualista do Montijo que se transformou num exemplo, ao ponto de ter sido motivo de diversas reportagens de órgãos de comunicação social internacionais.

Sala foi acoplada ao edifício do lar e permite receber todos os que visitam os utentes, mantendo-os separados por um vidro com um centímetro de espessura.

"No momento em que foi criada a Box das Emoções vivia-se uma situação de elevado desgaste emocional, tanto por parte dos utentes do lar como por parte dos seus familiares, que de forma abrupta se viram privados das visitas e dos contactos presenciais regulares que estabeleciam", recorda ao DN Pedro Santos, presidente do conselho de administração da UMNSC.

O sucesso da ideia foi de tal ordem que a instituição conseguiu proporcionar cerca de 2200 visitas, o que sem este espaço - uma sala amovível que foi acoplada ao edifício do lar e que permite receber todos os que visitam os utentes, mantendo-os separados por um vidro com menos de um centímetro, presencialmente, cara a cara, mas evitando a interação - seria impossível.

Satisfeitos com o resultado para a saúde mental dos utentes do lar, os responsáveis garantem que vão manter a Box em funcionamento. "Como continua a não ser permitida a entrada de pessoas estranhas no edifício do lar, que está reservado apenas aos utentes e aos trabalhadores. Os utentes e os seus familiares defendem a manutenção das visitas, uma vez que desta forma não se verificam outras interações entre o interior e o exterior do lar, facto que, ao alterar-se, elevaria bastante o nível de risco", sublinha a enfermeira chefe e responsável técnica e também membro do conselho de administração Patrícia Soares, recordando que a instituição faz testagem semanal à covid-19.

cferro@dn.pt

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