13 dos arguidos por tráfico de seres humanos no Alentejo ficam em prisão preventiva
Dois tribunais determinaram esta sexta-feira que 13 arguidos no processo de tráfico de seres humanos no Alentejo vão ficar em prisão preventiva, avança a SIC Notícias.
O Tribunal de Évora determinou a medida de coação para seis arguidos e o Tribunal de Cuba para outros sete.
Uma nota do Tribunal de Évora explica que foi determinada a libertação imediata de dois arguidos, por "falta de indiciação de crimes", ficando estes sujeitos a termo de identidade e residência.
Já o Tribunal de Cuba determinou que outros 12 arguidos seriam obrigados a apresentação periódica e proibidos de se ausentarem do país, além de ficarem sujeitos a entrega do passaporte e proibição de contacto com os restantes arguidos, vítimas e trabalhadores dos arguidos.
28 pessoas foram detidas na manhã desta terça-feira numa grande operação da Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária contra o tráfico de seres humanos em várias cidades e freguesias da região do Baixo Alentejo.
Os detidos, de nacionalidade portuguesa e estrangeira, são suspeitos de serem angariadores e também outras pessoas que controlavam os imigrantes, muitos deles vítimas de maus-tratos e exploração laboral na agricultura.
De acordo com o comunicado oficial da PJ, em causa estão, além de crimes de tráfico de seres humanos e de auxílio à imigração ilegal, associação criminosa, angariação de mão-de-obra ilegal, branqueamento de capitais, fraude fiscal, ofensas à integridade física e posse ilegal de arma de fogo.
Os concelhos de Cuba e Évora terão sido os alvos principais desta operação que envolveu 480 operacionais que executaram 78 mandados de busca domiciliária e não domiciliária.
Um número ainda não determinado de vítimas - pelo menos uma centena, de acordo com a PJ - foi resgatado e levado para a base aérea de Beja.
De acordo com a PJ, esta operação denominada de "Espelho", estes imigrantes vítimas de exploração no trabalho agrícola e a viver em condições degradantes, foram aliciados nos seus países de origem, entre outros, Roménia, Moldávia, Ucrânia, Índia, Senegal e Paquistão.
A inspetora Manuela Santos, da Unidade Nacional de Contra Terrorismo da PJ, indicou que a denúncia destes crimes de exploração partiu de pessoas que viviam perto daquelas propriedades e não das próprias vítimas, "uma vez que se encontram numa situação de grande fragilidade".
A inspetora disse ainda que os trabalhadores ganhavam entre 100 e 250 euros por mês, quando lhes prometiam "800, 900, mil ou mais".
Segundo a responsável, o que lhes explicavam é que a diferença "ficava retida" para pagamento do alojamento, alimentação e transporte.
Há um ano, numa operação semelhante, a Polícia Judiciária desmantelou uma rede de tráfico de pessoas que atuava no Baixo Alentejo. Nessa ocasião foram detidas 35 pessoas pertencentes a uma rede criminosa que contratava trabalhadores estrangeiros.
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