Salários caem 25% no retalho

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Um

estudo elaborado pelo Grupo Michael Page, consultora em recrutamento

especializado dá conta que dos vários sectores da economia é no

retalho que se encontram as maiores diferenças salariais.

Do

gerente de loja ao supervisor de operações, as remunerações

auferidas por profissionais da área tornam-se distantes

independentemente de um profissional deter apenas um curso técnico

ou uma licenciatura, referem.

"Este

factor deve-se, principalmente, ao facto das profissões disponíveis

neste sector serem, muitas vezes, procuradas por profissionais

qualificados em termos de experiência mas não de educação

superior. Tal factor reflecte, não só a actual conjuntura económica

do país, mas também a média salarial auferida pelos profissionais

do sector".

De

acordo com o estudo no retalho e numa empresa de média dimensão, "a

profissão mais bem paga é ao Supervisor de Operações que aufere

entre 25.200 euros a 28.000 euros, contrastando com o Supervisor de

Loja que tem uma remuneração anual entre os 18.200 euros e 22.400

euros. Duas profissões que se complementam e que andam lado a lado,

no entanto, com valores bastante diferentes".

Para

o presidente da Confederação do Comércio de Portugal (CCP) estes

valores "parecem um pouco exagerados no que diz respeito aos

valores que actualmente se estão a praticar".

João

Vieira Lopes sublinha mesmo que "actualmente o nível dos salários

que se está a pagar no retalho é em média 25 a 35% abaixo dos que

já estão nos quadros das empresas, para os menos qualificados a

diferença é mais baixa porque os salários também são muito mais

baixos".

Ao

fazer o retrato do sector o presidente da CCP adianta que "há mais

procura do que oferta de empregos" e tal deve-se a três vectores,

"a saída de cadeias importantes, que foram adquiridas por outras,

o ritmo de aberturas de novos espaços que não subiu e a baixa média

de vendas que leva os operadores a reduzirem ao máximo o número de

colaboradores".

Ao

detalhar mais os diferentes níveis dentro do sector a Michael Page

refere que um director regional, que tem sob a sua responsabilidade a

gestão de vários pontos de venda e está ligado à gestão de

equipas a nível comercial e de acordo com a imagem corporativa da

empresa numa zona geográfica concreta ganhará no máximo, no

retalho generalista 65 mil euros anuais, subindo para 110 mil euros

anuais na especializada e para 115 mil euros na alimentação.

O

director de compras, que tem normalmente formação superior na área

de gestão ou marketing ganha no retalho especializado cerca de 90

mil euros e no alimentar 105 mil euros anuais.

Um

director de grande superfície, que "é sempre um comercial, um

organizador e um chefe de equipa, que dirige a actividade comercial

do seu ponto de venda ou do conjunto de pontos, elabora e valida os

pressupostos, bem como organiza globalmente o pessoal", ganha no

máximo no retalho generalista 35 mil euros, no especializado 75 mil

euros e na alimentação 95 mil euros.

O

retail manager, cuja função tem vindo a aumentar de importância

bem como o campo de acção nos últimos anos, "devido à expansão

e crescimento das empresas, através de uma rede de lojas tanto

próprias com o franchisadas", ganha anualmente no retalho

generalista, no especializado e na alimentação 80 mil euros.

Um

gerente de loja, normalmente é o responsável de uma pequena loja a

que se "exige uma boa experiência em vendas e gestão de uma

equipa comercial, em alguns casos, com uma formação máxima ao

nível do bacharelato", segundo o estudo, que revela que estas

funções auferem anualmente 35 mil euros no retalho generalista e 45

mil no especializado e alimentação.

Um

chefe de secção que reporta ao chefe de departamento ou director de

loja ganha anualmente entre 26 mil e 30 mil euros.

O

estudo da Michael Page revela ainda que "os profissionais que

trabalham nesta área, no retalho, sentem que tem de existir um

esforço duplo para se conseguirem equiparar a profissões como chefe

de vendas, por exemplo".

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