"O facto de o governo querer tornar privada uma companhia que sempre foi pública - a diferença entre um monopólio público e privado é que o privado tem mais capacidade de atuação - trará cada vez menos competitividade ao mercado", referiu ao Dinheiro Vivo David O"Brien, diretor comercial da Ryanair..Em Lisboa para marcar o 30º aniversário da low cost irlandesa, O"Brien lembrou que o novo investidor utilizará a influência que a TAP já tem nos consumidores - é a maior companhia do País - e a sua posição na diáspora e, ao mesmo tempo, passará a ter em conta um modelo económico com base no lucro. "Não tenho boas expectativas", referiu o responsável ao Dinheiro Vivo..A venda da TAP está, no entanto, longe de ser a única preocupação da Ryanair em Portugal. A empresa, que conta já com quatro bases em território nacional e se prepara para entrar nos Açores, lembra que as condições aeroportuárias do país estão a tornar-se um travão ao crescimento. Por duas vias: aumento das taxas pagas pelas empresas aos aeroportos e esgotamento do aeroporto da Portela, em Lisboa. "Este ano, as taxas em Lisboa aumentaram 8%, apesar de o tráfego ter crescido à volta de 2.000.000 de pessoas. Os passageiros aumentaram de 16 para 18 milhões e os preços não caíram", admitiu o responsável da Ryanair, lembrando que "mais taxas e mais passageiros sem um novo aeroporto só tem um resultado: o crescimento será maislento.".Sem olhar para estes entraves à operação, que já são de reclamação recorrente pela low cost, "as coisas estão a correr bem para a Ryanair e muito bem para os passageiros", diz O"Brien. "Os portugueses estão hoje a poupar 760 mil euros em comparação com o que pagavam antes. Temos quatro bases em Portugal e empregamos 1000 pessoas diretamente". Este número cresce para 6,5 mil empregos se se contar com as criações de postos de trabalho indiretos. No ano passado, com apenas dois anos em Lisboa, a companhia aérea foi responsável pelo transporte de um milhão de pessoas. Para este ano a aposta é dobrar o valor. No total do país, a Ryanair transportou 6,5 milhões. E agora, já só se pensa no novo destino: os Açores..Olhos postos na Terceira.A abertura das rotas comerciais para Ponta Delgada foi finalmente anunciada. E, tal como já pedia há muito, a Ryanair poderá voar para São Miguel a partir de abril. Vai realizar duas ligações diárias àquele destino a partir de Lisboa e uma a partir do Porto e, uma vez por semana, irá a Londres..As reservas, que começaram ainda no final do ano passado, já mostram um mês de abril com mais de 20% de ocupação. "A rota como estava não tinha consistência, uma companhia não é suficiente", afirmou O"Brien, admitindo que "voar para a Terceira é uma possibilidade interessante", apesar de, para já, "estar a alguma distância". "Estamos a falar com o governo dos Açores para perceber que preços serão estabelecidos e quais as condições. Posso adiantar já que será provável que aconteça, mas não sei se será este ano ou no próximo", adiantou David O"Brien.