Urgências de hospitais lotadas fecham aos pedidos do INEM

Doentes do Amadora-Sintra estão a ser enviados para Santa Maria e S. José

Há hospitais na região de Lisboa que já ativaram o plano de contingência e não estão a receber doentes encaminhados pelo INEM. Caso do hospital Amadora-Sintra, que deverá ter a medida ativada até dia 18. Os doentes são reencaminhados diretamente pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) para outras unidades da região com urgências menos congestionadas. Trabalho feito em coordenação com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Só em dezembro esta região registou mais de 197 mil episódios de urgência. Já no Norte foram cerca de 190 mil.

O hospital Amadora-Sintra, que nos dias 1 e 2 registou 1072 urgências (sem contar com os 340 casos da urgência básica de Algueirão-Mem Martins), não está a receber doentes encaminhados pelo CODU até dia 18. Prazo que pode ser encurtado se o cenário aliviar. "Foi decidido em novembro que sempre que um hospital atingisse a lotação do serviço de observação (SO) - faz apoio à urgência que tem 45 camas com a possibilidade de mais dez - o CODU seria informado e os doentes encaminhados para outro hospital. No nosso caso estão a ser encaminhados para Santa Maria e S. José. Mas já recebemos doentes do S. Francisco Xavier", disse ao DN fonte do hospital. A média de internamento resultante da urgência tem sido de 8%.

Fonte da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo explicou que a "medida faz parte do plano de contingência para evitar que urgências que já estejam muito congestionadas entrem em rutura e evitar situações de macas nos corredores". Apesar de não indicar quantas vezes a medida já foi ativada, adiantou que "está a acontecer porque existem urgências congestionadas". Esta é a forma de gerir alguma da procura, pois as urgências estão sempre abertas e grande parte dos utentes dirige-se a elas diretamente.

Quando as urgências estão lotadas, o hospital avisa a ARS e esta comunica ao CODU que os doentes transportados pelo INEM devem ser encaminhados para outro hospital da região. O modelo aplicado nesta altura funciona igualmente durante o ano com algumas especialidades, como queimados, em que o número de camas é limitado.

O hospital Garcia de Orta também já ativou o plano de contingência. "Apenas por uma vez tivemos limitações, na passada terça-feira e por escassas duas horas, através de reencaminhamentos pelo CODU, sobretudo devido a uma grande afluência de doentes críticos, mas rapidamente a situação ficou normalizada", disse fonte da unidade de Almada, referindo que têm tido "um ligeiro aumento de internamentos derivado a gripe e/ou frio". Abriram 24 camas extra no âmbito do plano de inverno e estão a receber uma média diária de 288 utentes nas urgências.

Santa Maria, cujo SO tem 16 camas, nunca acionou o plano e tem recebido doentes de outros hospitais. Até ao momento, adiantou o hospital, abriu mais 112 camas de internamento. Quanto a urgências, na terça-feira registaram 720 e na quarta 708 (incluindo urgências pediátricas e obstétricas). "Tem-se registado um aumento dos internamentos a partir da urgência central: nos últimos dias cerca de 13% da afluência registada."

O Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (que inclui S. Francisco Xavier) disse que "aumentou o fluxo de doentes, bem como o número de internamentos, e com a coordenação da ARS Lisboa e Vale do Tejo todos os doentes têm tido o necessário internamento e tratamento" e que têm "recebido doentes, via CODU, da zona de influência do centro hospitalar".

O plano de contingência para o inverno, que começou a ser trabalhado em junho, prevê também a abertura de camas extra para internamento. No caso da região de Lisboa e Vale do Tejo mais 700 camas. "Ainda existem 120 a 150 camas que estão disponíveis para abrir. Algumas delas estão por exemplo no Centro Hospitalar Lisboa Norte, Lisboa Central e Médio Tejo. Há medida das necessidades vão sendo acionadas", disse fonte da ARS. Os centros de saúde também estão com horários alargados.

No Norte a procura também tem sido grande, mas o S. João não tem conhecimento que "de qualquer ativação" do plano de contingência. Mas há hospitais a equacionar a suspensão de cirurgias programadas, como o Centro Hospitalar Tondela-Viseu. Segundo a RTP, o hospital de Gaia foi dos primeiros a fazê-lo por causa do aumento da procura das últimas semanas.

Gripe com tendência estável. Mortes acima do esperado

A atividade gripal manteve, na última semana de 2016, uma tendência estável, mas foram reportados mais casos de doentes internados nas unidades de cuidados intensivos. Segundo o relatório do Instituto Nacional Ricardo Jorge (INSA), entre os dias 26 de dezembro e 1 de janeiro, dos 29 doentes internados em estado grave, 70% tinha mais de 64 anos.

Até ao momento foram internadas 82 pessoas nos cuidados intensivos, das quais apenas 21 estava vacinada contra a gripe. O relatório refere que 11 dos doentes internados nestas unidades morreram - três quais na última semana - e que foi ativada a reserva estratégica de zanamivir para dois doentes.

Em relação à mortalidade por todas as causas, voltou a subir, pela segunda semana consecutiva, acima do que seria esperado se fosse uma época sem fenómenos extremos. Graças Freitas, subdiretora geral da Saúde, explicou na semana passada que o comportamento registado esta época gripal está em linha com anos anteriores em que o vírus H3N2 foi o dominante - como agora - e esteve mais frio. "O valor médio da temperatura mínima do ar, na semana 52 de 2016, foi de 2,2°C, valor muito inferior ao normal", diz o relatório do INSA.

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